PM´S PROTAGONIZAM CRIMES NO CEARÁ DURANTE O CARNAVAL

No Ceará, as tragédias ao longo do feriado prolongado do Carnaval deste ano envolveram, por diversas vezes, policiais como principais personagens. Próximo à folia ou dentro da própria residência, longe da agitação. Dentre os casos de repercussão registrados nos últimos dias, há pessoas que foram vítimas de quem, por lei, tinha dever de protegê-las.


Em Paracuru, Litoral Oeste do Ceará, um sargento da Polícia Militar do Estado do Ceará (PMCE) matou a esposa a tiros, feriu um amigo e cometeu suicídio em seguida. O fato se deu na madrugada de segunda-feira (4), por volta das 3h30. Segundo a Polícia Civil, o sargento estava em uma casa de praia quando, de repente, foram ouvidos os disparos.

O amigo ferido foi encaminhado para o Instituto Doutor José Frota (IJF), no Centro de Fortaleza, onde passou por intervenção cirúrgica e até o início da noite de ontem permanecia hospitalizado. A cirurgia foi necessária devido a uma lesão em uma artéria de um dos braços. Seu estado de saúde não foi informado pela unidade. A Polícia Civil não informou o que teria motivado o crime.

Ainda na segunda-feira, um outro crime envolvendo um PM como suspeito aconteceu. Em Fortaleza, no bairro Montese, um subtenente da Polícia Militar, atirou contra a esposa. Ambos estavam dentro de casa, juntos ao filho do casal.

Conforme testemunhas, o tiro atingiu o ouvido da vítima, que também foi levada ao IJF, no Centro. A reportagem apurou que o quadro de saúde da vítima é grave, e a cirurgia ainda não havia sido realizada devido à localização do projétil. Instantes após o ocorrido, o subtenente se apresentou ao 11º Distrito Policial (DP) e foi encaminhado para a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Fortaleza.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS), informou que, pelo fato de o agente ter se apresentado espontaneamente, ele foi ouvido e liberado. O homem foi autuado por tentativa de feminicídio. O advogado criminalista Delano Cruz destacou que, do ponto de vista jurídico, o subtenente não foi preso em flagrante porque não chegou a existir uma perseguição contra o suspeito. Mesmo assim, de acordo com Delano, não está impedido que a qualquer momento seja decretada a prisão temporária ou preventiva contra o militar.

Confusão
Já ontem, outro episódio envolvendo policiais. Um PM de folga foi baleado, na madrugada, por agentes do Comando de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (CPRaio) após uma discussão. Este foi outro caso em Paracuru, município conhecido por atrair milhares de foliões durante o Carnaval.

Por nota, a SSPDS divulgou que o militar Diego Mendes Barroso foi baleado em um posto de combustíveis na zona urbana do município de Paracuru, por volta das 3h. De acordo com os agentes do CPRaio que estiveram na ocorrência, Diego havia se envolvido em uma discussão com o motorista de aplicativo Rômulo Marques dos Santos e sacou uma arma de fogo, quando foi lesionado durante a abordagem dos agentes que estavam em serviço.

O PM foi atingido com quatro tiros no tórax e no braço. Ele foi socorrido por uma aeronave da Ciopaer para o Instituto Dr. José Frota, no Centro de Fortaleza, e não corre risco de morte. Os tiros do policial do Raio foram efetuados na área externa do estabelecimento onde ficam as bombas de abastecimento. Segundo apurou o delegado Francisco Brauna, o desentendimento entre o soldado Diego e Rômulo começou na Praça do Farol.

Rômulo teria feito um comentário depreciativo contra policiais militares e Diego teria tirado satisfações. Os dois voltaram a se encontrar em um posto de combustíveis. Segundo o policial do CPRaio que teria atirado em Diego, o PM fez menção de puxar a arma e foi advertido. Como não atendeu a ordem, acabou sendo alvejado.

Somente depois, o próprio Diego se identificou como policial militar. O agente do CPRaio prestou depoimento na Delegacia de Polícia Civil de Paracuru e foi liberado.

Fortim
Em Fortim, cidade pertencente à Área Integrada de Segurança (AIS) 18, a SSPDS informou que um homem identificado como Victor da Silva Barbosa, sem antecedentes criminais, foi conduzido por policiais militares à Delegacia Regional de Aracati, passou mal e foi encaminhado ao hospital, onde não teria resistido e morrido.

A família de Barbosa conta uma versão diferente. De acordo com parentes, Victor foi vítima de agressões por parte de uma composição da PM. Os policiais teriam levado Barbosa até uma rua separada e, devido à vítima desobedecer às autoridades, ele levou socos e chutes. Em seguida, os militares teriam acionado uma ambulância, mas o homem morreu ainda no veículo.

DN

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