IRANIANO E PM VÃO A JURI POPULAR POR ASSASSINATO NO CEARÁ

A 5ª Vara do Júri da Comarca de Fortaleza determinou que o empresário iraniano Farhad Marzivi e o policial militar Ivanildo Mariano Silva devem ir a júri popular pelo crime de homicídio. A decisão foi proferida no último dia 24 deste mês, quase 10 anos após a morte de Francisco Cícero Gonçalves de Sousa, conhecido como 'Paulo Falcão', assassinado com disparos de arma de fogo, em junho de 2009, no bairro Villa Manoel Sátiro. Marvizi já foi condenado e cumpre pena por ordenar um atentado contra o auditor da Receita Federal José de Jesus Ferreira.


Conforme a denúncia do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), ele era ex-funcionário da Coelce e foi contratado pelo iraniano para manipular o medidor de energia dos seus imóveis no bairro Meireles e no Porto das Dunas, com intuito de baixar os valores do consumo. Entre um trabalho e outro, 'Paulo Falcão' teria sido designado para resolver um "problema" contra o auditor fiscal da Receita Federal, José de Jesus Ferreira, que estaria incomodando o iraniano com frequentes fiscalizações nas lojas do empresário, onde eram comercializados produtos ilegais, sem nota fiscal.


Os autos apontam que Francisco Cícero tentou matar José de Jesus, que sobreviveu aos disparos. Por não ter concluído o serviço, Farhad não pagou por completo os R$ 15 mil acordados, o que teria desagradado a Cícero. Sabendo que o ex-funcionário da Coelce não estava contente com a situação, a denúncia aponta que o iraniano teria, por meio de um outro amigo, chegado até o policial militar, na época lotado no 5º Batalhão da PM, apontado como executor do ex-funcionário da Coelce.

Na denúncia do MPCE consta que, no dia da morte de Francisco Cícero, Farhad e Ivanildo mantiveram contato via telefone. Os disparos contra 'Paulo Falcão' partiram de uma arma de fogo calibre .40, padrão adotado pela Polícia Militar do Estado do Ceará. Francisco Cícero Gonçalves de Sousa foi executado enquanto estava na cozinha da pizzaria dele e chegou a ser levado a um hospital, mas não resistiu aos ferimentos.

Outros casos

Outro crime atribuído ao iraniano foi o duplo homicídio praticado contra o casal José Medeiros Magalhães e Maria Elizabeth Almeida Bezerra. Segundo as investigações, os dois foram mortos em agosto de 2010, dentro da casa onde moravam no Conjunto Esperança, após Farhad Marzivi descobrir que os dois vinham colaborando com investigação da Polícia Federal contra o estrangeiro. Dois homens invadiram a casa das vítimas e dispararam diversas vezes.

Além do casal, o estrangeiro teria ordenado a morte do empresário Francisco Francélio Holanda Filho, em julho de 2010. Atualmente, Marvizi está encarcerado em um presídio federal pelo atentado contra o auditor da Receita. Além, dos assassinatos, ele já foi condenado pela Justiça Federal por descaminho e também responde por abuso sexual de uma adolescente, além do crime de estelionato.

Em dezembro de 2009, uma loja do empresário do ramo de eletrônicos foi alvo da 'Operação Compra Legal'. Centenas de produtos foram apreendidos pela Secretaria da Receita Federal. Na época, o homem acusou seu contador de ter sumido com as notas fiscais das mercadorias. Para a Justiça Federal, Farhad também cometeu os crimes de corrupção ativa, formação de quadrilha e falsidade ideológica. A reportagem tentou contato com a defesa de Farhad, mas até o fechamento desta edição, nenhuma das ligações foi atendida.

DN

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