BANCADA EVANGÉLICA AGORA SE DIVIDE QUANTO AO APOIO A BOLSONARO

Primeira a apoiar Jair Bolsonaro (PSL) durante a campanha pela Presidência, a bancada evangélica parece estar dividida quanto ao alinhamento durante o governo do presidente. A Frente Parlamentar Evangélica deve ter, apenas na Câmara, 180 representantes.

O novo ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodriguez, durante solenidade de transmissão de cargo.

Contudo, integrantes do grupo reclamam da falta de diálogo com o governo e de falta de espaço na Esplanada. A última reunião da bancada com Bolsonaro foi em 18 de dezembro, período da transição. Desde então, o presidente só recebeu alguns membros individualmente, o que desagrada parte do grupo.

As rusgas da bancada com o presidente começaram quando Bolsonaro ignorou as indicações dos evangélicos para ministérios, como o da Educação. A bancada teve apenas direito a veto quanto a quem seria o titular do MEC, quando não aceitou a indicação de Mozart Neves Ramos, diretor do Instituto Ayrton Senna e opositor do Projeto Escola Sem Partido.

Na semana passada, o deputado federal Marco Feliciano (Pode) usou o Twitter para mandar um recado. "Quando o governo resolve governar sozinho, se torna um gigante com pés de barros. O que adianta ter a estrutura que tem se o alicerce é frágil? O presidente tem que cimentar os pés. E isso se faz chamando as bancadas para conversar", disse.

Após a publicação, Feliciano foi escolhido para ser um dos vice-líderes do governo na Câmara e pondera que pode usar a posição para reaproximar a frente do governo. Os deputados da frente reclamam que não conseguem agenda com ministros e não têm respostas às demandas que fazem. O deputado Sóstenes Cavalcanti (DEM), um dos cotados à liderança da frente, por exemplo, diz que não consegue agenda com o ministro da Educação, Ricardo Velez.

Sem líder definido, chegou a ser ventilada a possibilidade de manifesto declarando a independência do grupo quanto a assuntos não relacionado a costumes, como a Reforma da Previdência. Contudo, Portela classificou essa possibilidade como "irreal", enquanto Pastor Eurico (Patri), um dos que pleiteiam a liderança do grupo, afirma que "não é prerrogativa da frente" influenciar em votações que não sejam ligadas a "valores que a gente defende".

Professor de teoria política da Universidade Estadual do Ceará, Emanuel de Freitas projeta que o incômodo dos evangélicos pode não ser um problema para o presidente. Com muitos deputados de primeiro mandato, a frente precisaria ser "mais coesa" para fazer pressão. Com a previdência em evidência, a bancada evangélica segue "importante, mas sem ser primordial".

(Com agências)




Tasso será relator de comissão especial da Previdência


O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), assinou na noite de ontem o ato de criação da comissão especial destinada ao acompanhamento da tramitação da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados. A instalação do colegiado está prevista para a próxima terça-feira, 19.

A comissão é composta por nove titulares com igual número de suplentes e será presidida pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), com relatoria do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). Os demais integrantes titulares serão os senadores Eduardo Braga (MDB-AM), Espiridião Amim (PP-SC), Cid Gomes (PDT-CE), Veneziano Vital do Rêgo (PSB-PB), Jaques Vagner (PT-BA), Rodrigo Pacheco (DEM-GO) e Elmano Férrer (PODE-PI). Os suplentes ainda serão indicados pelos líderes, observada a proporcionalidade partidária.

O objetivo da comissão é mostrar aos deputados as divergências e expectativas dos senadores para que o texto seja aprovado na Câmara com os principais pontos já pacificados. Como proposta de emenda constitucional não tem Casa revisora enquanto sofrer alteração de mérito, o texto passa da Câmara para o Senado e vice-versa, até que não seja mais modificado.

A estimativa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), é que a PEC que vai alterar as regras previdenciárias seja votada na Comissão de Constituição e Justiça nos dias 27 e 28 deste mês. A data pode ser alterada, já que líderes partidários querem frear a análise da reforma da Previdência na comissão até que o governo envie uma proposta alterando o sistema previdenciário dos militares. A proposta deve ser entregue no dia 20 de março.

Rodrigo Maia, no entanto, descarta que a divergência possa atrasar a discussão.

"Na próxima semana, a partir de quinta-feira, já pode apresentar relatório, mas não tem reunião da CCJ. Então só pode apresentar relatório na outra terça-feira. Podemos ter duas sessões para vista. Ou seja, estaria pronta para votar daqui a duas semanas, muito depois do dia 20. Então, essa decisão é meio inócua. Infelizmente ou felizmente, o Regimento Interno só permite que seja votado lá para o dia 27, 28 de março", afirmou Maia. (Agência Brasil)
Secretária não é indicação da bancada evangélica


Cargos do Ministério da Educação têm sido alvo de disputa por diferentes grupos que circundam Jair Bolsonaro. A nova crise ocorreu após o escritor Olavo de Carvalho instigar que houvessem demissões na pasta. Um dos alvos foi o secretário-executivo do MEC, Luís Antônio Tozi, exonerado no início da semana. Além dele, outras seis pessoas foram exoneradas da pasta nessa semana.

Ricardo Vélez, ministro da pasta e um dos indicados de Carvalho para o presidente, anunciou ontem Iolene Lima como a nova ocupante do cargo. Antes disso, havia se ventilado a possibilidade de Rubens Barreto da Silva, secretário executivo adjunto, assumir o cargo, o que não se efetivou. Silva é um nome ligado aos militares.

Vélez fez o anúncio através do Twitter. "De volta a Brasília, confirmo que Iolene Lima, da Secretaria de Educação Básica, assumirá a Secretaria Executiva do Ministério da Educação", disse, após participar do velório das vítimas da tragédia na Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano (SP).

Pela rede social, a nova secretária-executiva do MEC agradeceu ao ministro e ao presidente Jair Bolsonaro. "Dediquei minha vida para a área da educação e me sinto honrada. É com grande dedicação que assumo essa responsabilidade importante para a educação do nosso País", afirmou.

Iolene Lima é ligada à Associação de Escolas Cristãs de Educação por Princípios, uma organização não-governamental. Contudo, segundo o líder em exercício da Frente Parlamentar Evangélica, Lincoln Portela (PR), não foi uma indicação do grupo. "Nem todos os evangélicos que estão lá foram indicações da frente parlamentar evangélica", garante.

Durante reunião, na semana passada, na casa do deputado Paulo Freire (PR), a frente parlamentar evangélica decidiu não fazer indicações diretas a cargos no governo. Exceção deve ocorrer somente "se o presidente pedir". Nesse caso, "a Frente analisaria os prós e contra disso", explica Portela.

Mesmo garantindo que não foram feitas indicações pela bancada, Portela afirma que os evangélicos estão se sentindo representados nos Ministérios. "É o governo que mais teve em seu primeiro e segundo escalão, membros evangélicos atuando", elogia. (Com agências)


LUANA BARROS

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