PETISTAS NEGAM CONVITE AO DIÁLOGO E DIZEM QUE ACENO NÃO APAGA ATOS DE BOLSONARO

Um dia depois de o presidente Jair Bolsonaro (PSL) ter dito que quer libertar o País do "socialismo e do politicamente correto", além de "acabar com a ideologia que defende bandidos", o novo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, pregou um pacto político com a oposição. No entanto, principais opositores do novo governo, petistas já reagiram às declarações, afirmando que a postura do presidente não tem sido de convite ao diálogo.

LORENZONI diz que conversou com Bolsonaro e concluiu que o governo deveria demonstrar

Onyx, que participou da solenidade de transmissão de cargo no Palácio do Planalto, na manhã de ontem, propôs o pacto em defesa do País. "Queremos um pacto pelo Brasil mediado pelo imenso amor por esse pavilhão verde-amarelo", afirmou Onyx, diante de Bolsonaro, que prestigiou a posse dos auxiliares.

"As disputas políticas e ideológicas podem e devem ser travadas. Não recebemos um papel em branco ao vencermos as eleições", emendou o ministro, fazendo um aceno na direção dos adversários ao anunciar que o governo terá "bons ouvidos" para os que se opõem.

Mais tarde, em nova entrevista, Lorenzoni reforçou o aceno à oposição. Disse ter se reunido mais cedo com Bolsonaro e concluído que o novo governo deveria demonstrar "humildade e maturidade" de "estender a mão" aos adversários neste início de gestão.

"A eleição tem que ser superada e o entendimento tem que surgir", afirmou, acrescentando que exemplos de outros países demonstram que o Brasil poderia se beneficiar de um pacto nesse sentido. "Conversei com o presidente nesta manhã e entendemos que nos cabia fazer o primeiro gesto", emendou.

Contudo, deputados do PT afirmam que o discurso de Bolsonaro na posse, afirmando que o País começou a se libertar do "socialismo" e que a "nossa bandeira jamais será vermelha", além de declarações anteriores atacando a oposição, não dá espaço para um diálogo.

"Quem quer dialogar não faz o que o Bolsonaro fez na posse ontem. A posse foi um ato de hostilidade e de propagação de ódio", disse o líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta. "O Bolsonaro tem que aprender primeiro que, quando ele abre a boca, tem consequência. Não adianta mandar o funcionário desfazer o que o chefe fez".

O líder petista condicionou um diálogo a uma mudança de posicionamento do presidente. "Em primeiro lugar, tem que aprender a ter uma postura que até hoje nunca demonstrou a capacidade de ter."

Para o deputado Carlos Zarattini (PT-SP), a proposta de Onyx não apaga os discursos anteriores de Bolsonaro, que inviabilizariam um acordo com a oposição. "Até agora o pacto que eles propuseram é a gente dar o pescoço e eles a corda. É meio difícil. Se for diferente a conversa, não nos negamos a conversar. Por enquanto, o discurso de Bolsonaro não é de entendimento, é de confrontação", declarou o parlamentar paulista.

Agência Estado

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