FAMILIARES DE EX-ASSESSOR DO FILHO DE BOLSONARO NÃO COMPARECEM A DEPOIMENTO

Os familiares de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador eleio Flávio Bolsonaro, não compareceram ao Ministério Publico do Rio para prestar depoimento agendado para esta terça-feira (8). O então assessor é investigado, após divulgação do relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que mostra uma movimentação atípica de R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017 nas contas bancárias dele.


Em petição, a defesa de Queiroz informou que ele estava internado no hospital Albert Einstein, em São Paulo, para tratamento de um câncer intestinal. Suas duas filhas, Nathalia e Evelyn Queiroz, e sua mulher, Marcia Aguiar, segundo o ofício, não poderiam comparecer ao depoimento porque o acompanham no tratamento.

A informação foi revelada pelo jornal O Globo e confirmada pelo jornal Folha de São Paulo. A assessoria do Albert Einstein informou no início da tarde que o ex-assessor teve alta nesta terça. Ele havia dado entrada no último dia 30 de dezembro. Não foram divulgados detalhes do estado de saúde de Flávio Bolsonaro.

O advogado de Queiroz, Paulo Klein, disse à reportagem que o ex-assessor passou por cirurgia no dia 1°. A defesa pediu que os depoimentos sejam marcados para o fim do tratamento, sem previsão de data. Flávio Bolsonaro foi convidado pelo Ministério Público para depor na próxima quinta-feira (10), mas ainda não está certo se ele comparecerá.

Ex-assessor do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL), Fabrício Queiroz disse, nesta terça-feira (8), ao jornal O Estado de S. Paulo que esclarecerá "em breve" as movimentações atípicas em sua conta bancária apontadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Ele, porém, não disse quando iria dar as explicações e reclamou de, em suas palavras, ter sido tratado como "o pior bandido do mundo".

"Após a exposição de minha família e minha, como se eu fosse o pior bandido do mundo, fiquei muito mal de saúde e comecei a evacuar sangue. Fui até ao psiquiatra, pois vomitava muito e não conseguia dormir", disse Queiroz, que também é policial militar da reserva. "Estou muito a fim de esclarecer tudo isso. Mas não contava com essa doença. Nunca imaginei que tinha câncer."

Alegando fortes dores, o ex-assessor atribuiu os problemas detectados recentemente em sua saúde à exposição do caso Coaf na imprensa. As dores, segundo Queiroz, teriam feito ele faltar a depoimentos marcados pelo Ministério Público. 

Queiroz foi submetido a uma cirurgia para retirada de um tumor maligno no intestino, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde estava internado desde 30 de dezembro, e teve alta nesta terça-feira. Ele disse que pagou a conta dos serviços médicos com recursos próprios e declarou ter recibo para comprovar, mas não quis dizer o valor. 

O ex-assessor afirmou que dará as explicações apenas ao MP "por respeito" ao órgão, mas não informou a data. "Vocês saberão. Vocês sempre sabem de tudo", disse à reportagem. 

Queiroz disse ainda que ficará em repouso em São Paulo nos próximos dias e, a partir de 21 de janeiro, fará sessões de quimioterapia. Elas poderão durar de três a seis meses. 

O ex-assessor também reclamou do tratamento da imprensa no caso. "A mídia está fazendo o papel dela, mas está superparcial em meu caso. Isso é muito feio." Também declarou que muitos acham que sua doença é mentira e enviou à reportagem uma foto em que aparece com uma cicatriz na barriga e um cateter.

Movimentações

O relatório que apontou as movimentações financeiras suspeitas nas contas de Queiroz, revelado pelo Estado, foi produzido pelo Coaf na Operação Furna da Onça, conduzida pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal para investigar corrupção na Assembleia Legislativa do Rio. A ação resultou na decretação da prisão de dez deputados. 

A investigação foi transferida para o Ministério Público do Estado do Rio porque podem envolver deputados estaduais. Mais de 70 assessores ou ex-assessores de 22 parlamentares são investigados. Uma das filhas de Queiroz, Nathalia, é citada em dois trechos do relatório do Coaf (mais informações nesta página). 

Queiroz foi chamado para depor duas vezes no Ministério Público do Rio, mas faltou em ambas as ocasiões alegando questões de saúde. Em entrevista ao SBT, ele justificou a movimentação detectada na conta dizendo que "fazia dinheiro" com a compra e revenda de carros.

O MP do Rio sugeriu o comparecimento de Flávio Bolsonaro - filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro - para depor ao órgão nesta quinta-feira, 10. Por prerrogativa do cargo parlamentar, porém, ele pode escolher data, hora e local para prestar depoimento. 

Questionado, o MP não informou se Flávio confirmou presença. A assessoria do senador eleito também não quis confirmar se ele irá ou não. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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