ESTADO GARANTE QUE VAI AVANÇAR NO CONFRONTO DAS FACÇÕES

Em meio aos ataques criminosos que chegaram ao quarto dia, o Estado promete que irá avançar no combate ao crime organizado com uma megaoperação, com apoio das forças federais. O governador Camilo Santana afirmou, em pronunciamento ontem, que as Forças de Segurança estaduais estão em regime permanente de plantão. O Governo já recebeu o reforço de 300 agentes da Força Nacional e aguarda a chegada de mais 1.500 homens, de outras forças, nos próximos dias.


"O esquema reforçado de segurança continuará, com mais força ainda, por todo o tempo que for necessário, para garantir a ordem e colocar atrás das grades todos aqueles que atentarem contra a sociedade. Serei duro contra o crime!", garantiu Camilo.

Os trabalhos policiais já resultaram em 86 prisões de suspeitos de participarem dos ataques, em todo o Estado, até a tarde de ontem. Dentre os detidos está um homem que incendiou um coletivo no bairro Parque Santa Rosa, na última quinta-feira (3), e teve o corpo quase inteiro queimado. Após ser identificado pela Polícia, ele segue em atendimento em uma unidade de saúde.

O governador afirmou que os criminosos seguem realizando ataques a veículos e prédios públicos numa tentativa de intimidar o poder constituído. "Esse tem sido justamente o motivo desses atos criminosos: fazer com que o Estado recue dessas medidas fortes, o que não há nenhuma possibilidade de acontecer. Pelo contrário: endureceremos cada vez mais contra o crime", ratificou.

Megaoperação

A cúpula da Segurança Pública e do Sistema Penitenciário esteve reunida com Camilo Santana, no Palácio da Abolição, ontem, para fazer uma avaliação dos resultados obtidos pelas pastas e discutir as novas ações. Em resposta à série de crimes, o Estado já antecipou a posse de novos 373 policiais militares, que foram imediatamente colocados nas ruas; anunciou o pagamento de horas extras para os agentes de segurança que trabalharem além do expediente; e conseguiu os reforços de 300 homens da Força Nacional, enviados pelo ministro da Justiça e Segurança Pública (MJSP), Sérgio Moro, na última sexta-feira (4); e 50 policiais rodoviários federais, com um helicóptero e duas equipes especializadas em apoio aéreo e busca noturna.

O secretário da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) André Costa confirmou ao Sistema Verdes Mares que um efetivo de 100 policiais militares da Bahia chegará ao Ceará hoje. O Estado solicitou ainda outros 200 homens da Força Nacional e 80 agentes penitenciários da Força de Intervenção Penitenciária (FIP) ao MJSP e 1.500 militares das Forças Armadas Brasileiras ao Ministério da Defesa, e aguarda por resposta.


A megaoperação será comandada pela SSPDS, mas terá o auxílio do comandante Militar do Nordeste, general Gomes Freire. "Planejaremos as ações com base na integração de informações. Os detalhes operacionais são sigilosos. A população pode ter a certeza de que estamos trabalhando intensivamente para garantir a tranquilidade das ruas. Todos os esforços estão sendo realizados para darmos uma resposta forte à criminalidade", enfatizou André Costa.

Presídios

Os presídios são outra preocupação do Estado. A série de ataques criminosos se iniciou após a declaração do novo titular da Secretaria da Administração Penitenciária (Seap), Luís Mauro Albuquerque, de que reuniria as facções criminosas (hoje separadas) no cárcere. Um motim foi registrado na Casa de Privação Provisória de Liberdade Professor José Jucá Neto (CPPL III), em Itaitinga, na quinta-feira (3).

Camilo afirmou que a criação da Seap - no lugar da Secretaria da Justiça e Cidadania (Sejus) - objetivou uma "atuação rigorosa em todos os presídios, agindo com firmeza, dentro da lei e mostrando que o comando é do Estado". Além de intensificar vistorias nas Casas de Privação Provisória de Liberdade (CPPLs) nos últimos dias, a nova Pasta suspendeu as visitas aos detentos da Unidade Prisional Agente Luciano Andrade Lima (antiga CPPL I) e da CPPL III, durante este fim de semana, como sanção disciplinar, devido distúrbios que ocorreram nas unidades. Os presídios concentram criminosos ligados às facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC), respectivamente.

O titular da SSPDS informou que a Força Nacional poderá agir dentro do sistema penitenciário em situação extraordinária, mas não é o caso, no momento; e lembrou que o Estado deve receber reforço específico para essa demanda.

DN

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