BOLSONARO NOMEIA MINISTRO RESPONSÁVEL PELA QUEDA DE DILMA

Joaquim Levy é um fenômeno na política brasileira. Foi anunciado presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no governo Jair Bolsonaro (PSL). Antes, foi ministro da Fazenda de Dilma Rousseff (PT) ao longo do ano de 2015. Ora, foi justamente o ano em que ocorreram as "pedaladas fiscais" que motivaram o impeachment de Dilma. Vale lembrar: as manobras contábeis também ocorreram, com muito mais intensidade, em anos anteriores. Sobretudo 2014. Porém a ex-presidente só poderia responder a crime de responsabilidade por atos daquele mandato, que começou em 2015. Portanto, as pedaladas que levaram ao impeachment de Dilma foram de 2015. E o ministro da Fazenda daquele ano, o cara que "pedalou", era o doutor Levy. Como é que esse cara ganha, então, cargo tão importante, no governo imediatamente posterior ao mandato para o qual Dilma havia sido eleita?

Pode-se discutir se as pedaladas eram motivo o bastante para depor Dilma. Eu mesmo discuti isso aqui. Ocorre que, se o Legislativo entendeu que a presidente não poderia ficar no cargo por algo que foi executado por seu ministro da Fazenda, como esse mesmo ministro vira presidente do BNDES? Um banco de desenvolvimento de proporções continentais - na época de dólar em patamar bem mais baixo, chegou a emprestar mais que o triplo do Banco Mundial.

O camaleônico Levy

Ia dizendo que Levy é um fenômeno e, olha, acho que não tem precedentes. Creio que superou até Romero Jucá (MDB-RR). Antes de atuar nos governos de Bolsonaro e Dilma, ele secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda e economista-chefe do Ministério do Planejamento no segundo governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB). No primeiro governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi secretário do Tesouro Nacional. Depois, foi secretário da Fazenda do Rio de Janeiro no governo Sérgio Cabral Filho (MDB). Esse último, assim como Lula, está preso. Em quando Dilma convidou Levy para ser ministro, ele havia acabado de colaborar com a campanha de Aécio Neves (PSDB)
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Levy trabalhou nos governos FHC, Lula, Dilma e, agora, Bolsonaro Antonio Cruz/ Agência Brasil

É impressionante: conseguiu trabalhar nos governos de FHC, Lula, Dilma e, agora, Bolsonaro. Ainda esteve na equipe de Cabral e ajudou Aécio. Sempre nas equipes econômicas, cujas diretrizes foram bastante diferentes. Neste século, só não esteve no governo Michel Temer (MDB) - talvez porque fosse demais indicar o ministro responsável pelas irregularidades que justificaram a chegada do presidente ao cargo.

O presidente do Banco e a abertura do BNDES

Uma coisa interessante é que a intenção de Bolsonaro em relação ao banco é "abrir a caixa preta". A desconfiança é justamente em relação a operações realizadas na era petista. Ora, na parte final desse ciclo, o banco estava sob a gestão de Levy. Que abertura de "caixa preta" se pode esperar conduzida por alguém que pode ser afetado se irregularidades foram descobertas?

O Ceará na briga entre Ciro e o PT

Comentei ontem os desencontros entre Ciro Gomes (PDT) e o PT. O pedetista chegou ao ponto de dizer que não quer fazer campanha para o PT nunca mais. A postura pode ter óbvios desdobramentos no Ceará. Vale lembrar, Camilo Santana, governador a dois mandatos e ungido dos Ferreira Gomes, é petista.

Claro, Ciro há de argumentar que o que vale no plano nacional não necessariamente vale para o Ceará. É verdade, mas até certo ponto. Há limite para esse equilibrismo.

Para lembrar: durante anos, Ciro desancava o ex-PMDB nacional, enquanto seu irmão Cid Gomes mantinha aliança umbilical no Ceará com Eunício Oliveira, uma das referências nacionais peemedebistas. E se dizia, justamente, que o Ceará era caso a parte. Foi assim até que a briga estourou no Ceará, de jeito que não teve mais quem remendasse. Por mais que o próprio Camilo tentasse.

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