TCU: CANDIDATOS RECEBEM DOAÇÃO DE PESSOAS 'MORTAS'

Brasília. O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou diversos casos suspeitos de irregularidades em doações eleitorais. Exemplos: 113 inscritos no Bolsa Família doaram cerca de R$ 87 mil. Em um dos casos, o doador destinou R$ 4 mil para campanha eleitoral. Além disso, há nove pessoas mortas que doaram R$ 7,3 mil.


O órgão apontou 12.172 casos com indícios em doações eleitorais e gastos de campanhas, envolvendo valores que, somados, chegam a R$ 42 milhões.

Os relatos foram encaminhados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e vão servir de base para apuração de eventuais irregularidades a ser feita pela Receita e pela Polícia Federal, além do próprio TSE ao analisar as prestações de contas de candidatos e partidos.

Entre os casos suspeitos o TCU apontou uma empresária beneficiária do programa Bolsa Família que prestou serviços no valor de R$ 534 mil e uma empresa, com apenas um funcionário, que foi contratada por uma campanha para prestar serviços no valor de R$ 661 mil.

Também foi identificada uma empresa aberta em abril de 2018, pertencente a um filiado de um partido político, que prestou serviços no valor de R$ 15 milhões a uma campanha.

Também foram encontrados nove casos de doadores que já morreram, totalizando repasse de R$ 7.350.

Outro caso que chamou a atenção foi o de dez funcionários de uma construtora que doaram R$ 14 mil cada um, todos com nomes que começam pela letra 'A". A soma das irregularidades pode chegar a R$ 42 milhões.

O pente-fino, ao cruzar bancos de dados de toda a administração pública, apontou 3.907 doadores desempregados com contribuições de R$ 3,7 milhões, 122 fornecedores com relação de parentesco com candidatos, prestando serviços em valores somados de R$ 1,8 milhão.

A amostragem considerou dados disponíveis até 29 de setembro. Esta foi a primeira rodada de identificação. Deverá haver atualização.

Os nomes de doadores, empresas, candidatos e partidos não foram divulgados.

Segundo o secretário-geral de controle externo do TCU, Claudio Souza Castello Branco, a Corte de Contas está aplicando a expertise técnica em auditoria em dados públicos.

"O resultado será usado pelo TSE. O TCU entende que toda aplicação de dinheiro público deve ser feita por meio de tecnologia que viabilize o controle social. Outras ações de auditoria estão previstas para identificar irregularidades e facilitar o acesso a esses bancos de dados por parte da sociedade", disse.

Falsidade ideológica

Em outra frente, a Polícia Federal já apura 1.675 crimes eleitorais, como falsidade ideológica, compra de votos e reconhecimento de firma que não seja verdadeira para fins eleitorais.

DIÁRIO DO NORDESTE

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