NO RJ, CEARENSE É VÍTIMA DE XINGAMENTOS APÓS RESULTADO DAS ELEIÇÕES

Um dia após o primeiro turno das eleições nacionais, cearense relatou ao O POVO Online ter sido vítima de xingamentos no Rio de Janeiro. O caso ocorreu na manhã dessa segunda-feira, 8.


Há 16 anos moradora do Rio, a comerciante Thiane Moura, 34, identificou, pela primeira vez, ter sido vítima direta de xenofobia. Estudante de enfermagem, ela chegava para estagiar em posto de saúde por volta das 8 horas quando cinco mulheres discutiam o resultado das urnas do último domingo, 7.

"Quando cheguei, uma delas já bem alterada virou e falou: 'É, vocês mesmos. Bando de burro e cabeça achatada que vêm pra cá pro Rio de Janeiro matar a fome de vocês", relata a estudante. "Por que vocês não ficam lá?"

A autora dos xingamentos é dupla da vítima no estágio. "Fui pega de surpresa", diz Thiane, que no primeiro momento não conseguiu responder às ofensivas. "Ela foi alterando a voz e falando. Foi uma série de ataques. Eu não quis acreditar. Era raiva mesmo". 

Horas depois, Thiane recebeu da autora dos xingamentos, por meio do WhatsApp, uma mensagem sobre nordestinos que se mudam para o Sudeste do País em busca de emprego. "Essa é especialmente para você", escreveu na legenda seguido de quatro emojis de risos. 

Não é, contudo, a primeira vez que Thiane ouve algo do tipo fora do Ceará. "É a primeira vez que me fizeram enxergar que isso não é legal. Aqui a gente tem um nome só, que é 'Paraíba', independentemente de onde veio", explica. Além dos xingamentos, a cearense ouviu que viver no Nordeste era viver "em estado de miséria" e que só havia interesse no benefício do Bolsa Família. 

A pedido da vítima, a reportagem preserva a identidade das outras pessoas envolvidas no caso.

Contexto de intolerância 

Casos de preconceito contra nordestinos e minorias, como os LGBTs, ficaram mais evidentes nesse contexto de polarização política. Em colégio da Zona Sul do Rio de Janeiro, o banheiro feminino foi pixado com a frase "sapatas vão morrer kkk". A diretoria da instituição chegou a emitir uma circular sobre o caso. O caso foi noticiado pelo O Globo.

A circular assinada pela diretora-pedagógica do Colégio Franco-Brasileiro, Celuta Reissmann, afirma que a instituição que se firmou como escola que preza o respeito às diversidades e combate manifestações preconceituosas. "Informamos que o problema já está sendo tratado por nós com todo cuidado e atenção, na medida em que não há, no histórico do Franco-Brasileiro, qualquer registro de incidentes como esse até aqui", diz o texto, ainda conforme O Globo.

O que diz a Lei

Discriminação ou preconceito, seja de procedência nacional, de raça, cor, etnia ou religião é crime. A Constituição Brasileira de 1988 defende que é preciso promover "o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação".

De acordo com a Lei Nº 9.459, de 13 de maio de 1997, é crime praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preceito sob pena de reclusão de um a três anos, além de multa.

Denuncie

Crime pode ser denunciado ao Ministério dos Direitos Humanos pelo Disque 100, que recebe, analisa e encaminha denúncias de violão dos direitos humanos. O Disque 100 funciona 24 horas por dia, sete dias na semana.

A plataforma digital SaferNet Brasil também recebe denúncias de violações contra os Direitos Humanos pela Internet. Veja como denunciar aqui. O Ministério Público Federal também recebe denúncias pela Sala de Atendimento a Cidadão. Na plataforma é possível anexar documentos e arquivos digitais que possam servir como prova. Denuncie aqui.

O POVO

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