INCÊNDIO NA ENCOSTA DA CHAPADA DO ARARIPE ATINGE ROÇADO EM COMUNIDADE E MATA ANIMAIS

Um incêndio de grandes proporções foi registrado na encosta da Chapada do Araripe, nesta terça-feira (9), próximo à comunidade Baixio das Palmeiras, na zona rural do Crato. As chamas atingiram pastos, roçados, matou animais e causou prejuízos em fazendeiros e pequenos criadores.


De acordo com o Corpo de Bombeiros, cerca de 27 a 30 hectares de mata foram atingidos. O fogo começou por volta de 9h30, no Sítio Monteiro, e foi controlado durante a tarde.

Os moradores fizeram o que puderam para tentar debelar as chamas e salvar seus animais. Baldes, garrafas e carros-pipa foram utilizados para conter a avanço do fogo até a chegada do Corpo de Bombeiros, às 11h30. Segundo o Sargento Reginaldo da Silva, a equipe demorou a ser acionada pois a população acreditava que poderia controlar o incêndio, contudo, o vento, a vegetação seca e o capim alto espalharam rapidamente. “Foi chamada a Guarda Municipal, uma equipe de Juazeiro para tentar controlar”, conta o oficial. 

O Corpo de Bombeiros impediu que as chamas atingissem com maior proporção as comunidades vizinhas de Santa Rosa e a sede homônima do distrito Baixio das Palmeiras. Às 16h, a equipe voltou para a cidade para reabastecer o caminhão e retornar com mais equipe, pois ainda haviam muitos focos em outras localidades. “Nossa rapidez no atendimento evitou que atingisse casa, animais. O bem maior são vidas. A mata a gente vai tentar proteger a mata também”, garantiu o Sargento Reginaldo. Ainda não se sabe a causa do incêndio. 

No entanto, a agricultora Marilza Almeida, do Sítio Monteiro, contesta a agilidade do atendimento dos oficiais. Ela conta que ligou muitas vezes para o Corpo de Bombeiros que só atendeu uma hora depois do início do incêndio. “A gente estava com medo que o fogo invadisse as casas, o vento estava forte”, conta. Sua casa ficou com fogo dos dois lados e acabou perdendo todas as bananeiras plantadas em seu quintal. “Foi um desespero muito grande”, completa. 

A angústia também foi compartilhada pela agricultura Maria Lucineide da Silva, da comunidade vizinha do Oitis, que teve que conter o fogo por conta própria. “Foi desespero, aflição. A gente quer salvar os animais, os idosos. Ainda bem que comunidade chega junto. O pasto foi embora. Ainda chegou animal a ser queimado”, descreve. Ela e outras duas idosas inalaram muita fumaça, que causou dores de cabeça e problemas na garganta. 

Na comunidade do Monteiro, ainda foi registrado um acidente causado pela falta de visibilidade na estrada com a fumaça. Um homem de moto acabou atingindo um carro, mas só teve escoriações. Além disso, um fio de alta tensão despencou de um poste, assustando a população. Por precaução, a energia elétrica no distrito foi cortada por algumas horas, mas o dano foi reparado na mesma tarde. 

‘Prejuízo incalculável’ 

O fazendeiro Francisco Alidailton Rocha teve quase todo o pasto consumido pelas chamas. Sem ter como alimentar os animais, alguns deverão ser vendidos. O gado ainda conseguiu ser resgatado, no entanto, alguns cavalos raça ainda não foram encontrados. Ele acredita que os equinos morreram queimados. Além disso, cerca R$ 40 mil em estacas que seriam usados no cercado do terreno foram perdidos no incêndio. “O meu prejuízo e dos meus vizinhos não tem como somar não. Todo mundo foi prejudicado”, lamenta. 

Este já é o terceiro grande incêndio que acontece no Ceará nos últimos 15 dias. No último dia 3 deste mês, no Sítio Cana Brava, zona rural de Cariús, no Centro-Sul, as chamas consumiram grande parte da vegetação nativa em aproximadamente 200 hectares. Já no Cariri, outro grande incêndio, que iniciou no dia 29 de setembro em Cachoeira dos Índios (PB), acabou atingindo os municípios de Aurora e Barro, durante cinco dias.


DIÁRIO DO NORDESTE

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