NO CEARÁ, TUBERCULOSE CAUSA 51 MORTES EM 2018

Uma doença secular ainda deixa marcas na população, em particular, a de baixa renda. Até a última sexta-feira (21), o Estado do Ceará registrou 2.470 casos de tuberculose em 2018 - sendo 51 óbitos. Os dados foram divulgados através da planilha semanal de atualização de Doenças de Notificação Compulsória. Os números representam uma média de nove casos de infecção por dia; e 274 por mês - além de cinco mortes a cada 30 dias.


Os números elevados podem ser justificados por dois motivos, de acordo com o infectologista Robério Leite, do Hospital São José. "É uma doença que tem uma certa concentração em populações de baixa renda, sendo caracterizada como as 'doenças negligenciadas', que recebem menos investimentos globais na pesquisa de novos tratamentos, de diagnóstico", explica.

O outro motivo deve-se ao tratamento, que se estende por, no mínimo, seis meses. O longo período de tempo gera uma alta taxa de abandono por parte dos próprios pacientes.

Em todo o ano de 2017, foram registrados 3.653 casos no Ceará, sendo 1.847 em Fortaleza, de acordo com o Boletim Epidemiológico sobre Tuberculose, divulgado pela Secretaria de Saúde do Estado do Ceará (Sesa) em março de 2018.

A contagem resulta em uma média de 304 casos por mês, entre janeiro e dezembro. Logo, a média mensal em 2018 foi reduzida em 10%. Para Robério leite, o avanço da pobreza no País também torna mais complexo o acompanhamento dos pacientes. "Alguns fatores fazem com que a população de baixa renda seja mais suscetível à doença. A alimentação é uma delas, bem como as condições de habitação. As pessoas ficam juntas, muitas numa mesma residência, e como é uma doença de transmissão respiratórias, isso facilita bastante a maior incidência", diz o infectologista.

O mesmo vale para a população carcerária, que se encaixa na descrição de confinamento. Nas unidades prisionais, segundo a Secretaria de Justiça e Cidadania do Ceará (Sejus), quando identificados os sintomas, os internos são encaminhados para o setor médico da unidade, onde são avaliados, examinados e isolados em caso de confirmação da doença. Após o diagnóstico, são examinados também todos os contatos do interno para averiguação da transmissão, ainda que sem sintomas. O órgão afirma que não registrou nenhum óbito por tuberculose neste ano.

Importante

O diagnóstico precoce é a etapa mais importante à uma pessoa com tuberculose. Por isso, pessoas com tosse por mais de 21 dias, emagrecimento e/ou febre e suor no fim da tarde devem procurar o mais rapidamente uma unidade de saúde. "Se alguém contaminado tossir próximo à outra pessoas, o risco de transmissão é enorme", afirma Sandra Campos, gerente da Célula de Atenção às Condições Crônicas. Pessoas em situação de rua e que possuem o vírus HIV/Aids também integram as populações vulneráveis.

DIÁRIO DO NORDESTE

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