IBOPE: 3 EM CADA 10 ELEITORES ADMITEM VOTO ÚTIL NO 1º TURNO

Brasília. Faltando 10 dias para a votação do primeiro turno, cerca de três em cada dez eleitores admitem que mudariam o voto para evitar que um candidato indesejado ganhe as eleições deste ano, de acordo com pesquisa do Ibope contratada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e divulgada ontem. Além de medir a intenção de voto, o levantamento perguntou sobre a possibilidade de o eleitor dar o chamado voto útil.


Também conhecido por voto tático ou estratégico, o voto útil ocorre quando um eleitor acredita que o seu candidato preferido não tem chances de ganhar, então, ele opta por votar num candidato de que não gosta tanto com o objetivo de impedir a vitória daquele que rejeita.

Entre os entrevistados, 28% afirmam que a probabilidade de deixar de votar em um candidato de sua preferência é "alta" ou "muito alta". Já os que consideram a probabilidade ser "baixa" ou "muito baixa" somam 48%.

Para o gerente de pesquisas da CNI, Renato da Fonseca, ainda é baixa a probabilidade do voto útil neste pleito. "Vem se falando tanto nisso e, por isso, a curiosidade para saber como a população vem percebendo isso. É uma discussão que está aí, há vários candidatos que estão tentando se alavancar em cima disso, mas é preciso esperar as próximas pesquisas". Mais duas pesquisas devem ser divulgadas: Ibope, prevista para hoje, e uma do Datafolha (amanhã).

Motivos

Na pesquisa de ontem, o Ibope também perguntou aos eleitores os motivos da escolha por cada candidato. Jair Bolsonaro e Fernando Haddad (PT) são os com maior proporção de eleitores afinados com suas ideias.

Dos que votam em Bolsonaro, 62% gostam e apoiam suas ideias; 18% gostam do candidato, mas tem "dúvidas com relação a algumas ideias dele"; 5% "gostam do candidato, mas não conhecem suas ideias"; 2% "gostam das ideias, apesar de não gostarem pessoalmente do candidato"; 6% avaliam que "apenas apoiam este candidato porque não gostam dos outros candidatos"; 2% o apoiam "porque o candidato que gosto não tem chance de ganhar".

Dos que votam em Haddad, 58% gostam e apoiam suas ideias; 10% gostam do candidato, mas tem "dúvidas com relação a algumas ideias dele"; 7% "gostam do candidato, mas não conhecem suas ideias"; 2% "gostam das ideias, apesar de não gostarem pessoalmente do candidato"; 13% avaliam que "apenas apoiam este candidato porque não gostam dos outros candidatos"; 3% o apoiam "porque o candidato que gosto não tem chance de ganhar".

Estabilidade

Além de mostrar estabilidade na corrida presidencial, com Bolsonaro (com 27% das intenções de voto) e Haddad (com 21%) nas duas primeiras posições, a pesquisa trouxe diversos indícios de que, nos dez dias da reta final da campanha, será difícil haver transferência de votos para um candidato do segundo pelotão. Os dois primeiros colocados são os que têm maior porcentual de voto convicto, e também são os mais aprovados por seus próprios eleitores.

Os partidários dos presidenciáveis do PSL e do PT são ainda os que menos admitem mudar de opção para evitar um desfecho eleitoral que os desagradaria. Por fim, a expectativa de vitória de qualquer concorrente de ambos é, neste momento, considerada muito baixa.

Convictos

O levantamento encomendado pela CNI foi feito quase ao mesmo tempo que a mais recente pesquisa Ibope/Estado/TV Globo, divulgada na segunda. O resultado foi parecido: Bolsonaro e Haddad oscilaram um ponto para baixo, Ciro (PDT) variou um ponto para cima (saiu de 11% para 12%), Alckmin (PSDB) manteve os 8% e Marina (Rede) passou de 5% para 6%.

Bolsonaro e Haddad têm as maiores taxas de eleitores convictos: 55% e 49% de seus respectivos simpatizantes. Nas últimas duas semanas, houve um aumento de nove pontos porcentuais na parcela dos eleitores de Haddad que dizem que a decisão de voto é definitiva.

Metade dos eleitores de Marina e de Alckmin dizem que a intenção de voto declarada "é uma escolha do atual momento, que durante a campanha poderá mudar" ou que "é apenas uma preferência inicial". Os dois candidatos concentram a maior parcela de eleitores sem convicção na hora de escolher em quem votar no dia 7 de outubro.

DIÁRIO DO NORDESTE

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