MAIOR FORNECEDOR DA BOLÍVIA ESTAVA NO CE

O tempo e as rotas de fuga estão se tornando inimigos do Primeiro Comando da Capital (PCC), depois das mortes de Rogério Jeremias de Simone, o ‘Gegê do Mangue’; e Fabiano Alves de Souza, o ‘Paca’. Muitos dos esquemas foram dissecados e as chances dos ‘chefões do tráfico’ de continuarem levando uma vida normal, foram reduzidas.


Um membro da facção, apontado como o maior fornecedor de cocaína da Bolívia para um braço da facção, foi Adriano Moreira Silva, o ‘Adriano Mombaça’, 37, capturado pela Polícia Federal (PF) no Ceará. Levava uma vida discreta, passou cerca de cinco anos fora do radar da Polícia e, quando reapareceu movimentando milhões de reais com o tráfico internacional de drogas, virou foragido.

Adriano se utilizava de vários codinomes para passar despercebido: ‘Zoião’, ‘Zarolho’, ‘Cego’, ‘Olhinho’, ‘Olho Torto’ e ‘Adriano Mombaça’. Até que a sua real identidade surgiu na investigação da Superintendência da PF no Mato Grosso do Sul, que resultou na ‘Operação Nevada’. O Diário do Nordeste</CF> teve acesso à decisão da 3ª Vara Criminal de Campo Grande, da Justiça Federal no Mato Grosso do Sul, de junho de 2016, que pediu pela prisão dele e dos outros acusados de integrar uma quadrilha de tráfico internacional de drogas e de lavagem de dinheiro.

A investigação da PF começou com as prisões de dois suspeitos, com armas de fogo e munições (inclusive de fuzil 5.56), em um intervalo de dois dias, em novembro de 2014, no Interior sul-mato-grossense. Interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça e outros levantamentos realizados pela PF levaram a mais prisões e apreensões, nos meses seguintes, e desenharam a teia criminosa instalada naquele Estado.

O quebra-cabeça que estava sendo montado levou a PF a apreender 427 quilos de cocaína, camuflada no fundo falso de uma carreta, conduzida por Moisés Bezerra dos Santos, em Rio Brilhante, Mato Grosso do Sul, em agosto de 2015. Conforme a investigação, ‘Zarolho’ esteve em Campo Grande, quatro dias antes de Moisés ser preso e havia se encontrado com dois membros da quadrilha, Luciano Costa Leite e Alberto Aparecido Roberto Nogueira, o ‘Betão’.

“Conversas telefônicas entre Moisés e Luciano, além de mensagens de texto, em 18/8/15, deixam claro que o primeiro aguardava orientações dos líderes da organização e deveria colocar a cocaína no veículo e, depois, cobrir com carga lícita”, atestou o juiz federal Odilon de Oliveira, ao determinar a prisão de Adriano, em 3 de junho de 2016.

Conforme a decisão judicial, a apreensão dos entorpecentes gerou grande repercussão entre integrantes da quadrilha, através do telefone. Uma das pessoas que conversam sobre o caso é a mãe de Adriano. A esposa dele também foi investigada.

Cerca de 15 dias depois, a PF prendeu outro acusado de integrar a quadrilha, Oldemar Jacques Teixeira, com US$ 894 mil e R$ 11.400, em Campo Grande. “Os dólares se destinavam ao pagamento parcelado da quantia de US$ 1,2 milhão (de dólares) para Adriano Moreira, o fornecedor de drogas, na Bolívia. Seriam dois carregamentos de 400Kg”, afirma o juiz, na decisão.

Adriano era o principal fornecedor de cocaína da Bolívia, para esse braço do PCC. Ao deflagrar a ‘Operação Nevada’, em junho de 2016, a PF explicou que a droga entrava no Brasil pela zona rural do Mato Grosso do Sul, era deixada em fazendas e, transportadas em caminhões e caminhonetes para São Paulo.

‘Zarolho’ coordenava a entrega da cocaína e flutuava na região sem ser notado. A investigação achou provas da presença dele na Bolívia, em Campo Grande, e na Capital e no Interior de São Paulo. 

As apurações sobre o fornecedor da cocaína não foram fáceis. Adriano Moreira trocava de número de telefone com frequência, inclusive com linhas no número de terceiros, o que fez a PF pedir várias vezes a quebra do sigilo telefônico dele.

DIÁRIO DO NORDESTE

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