CE: 27,5% DAS MULHERES SÃO CHEFES DE FAMÍLIA

Cada vez mais mulheres são responsáveis pelas próprias famílias no Ceará. E isso não é só em relação a bancar a casa, mas também como as "chefes", as que dão a última palavra nas decisões do lar. Em 2012, mais de 21% das famílias cearenses tinham mulheres como chefes da casa. Os homens eram pouco mais de 37,6%. No ano passado, a porcentagem de mulheres subiu para 27,5%, e a de homens caiu para 36,5%.


Os dados são da Pnad Contínua, do IBGE. Em todo o Brasil, estima o órgão, eram cerca de 30,5 milhões de mulheres chefes de família, em 2017. No Ceará, foram apontadas 1,272 milhão. Desse total, 59,1% eram chefes em unidades domésticas nucleares, formadas por um casal ou por uma mãe com filhos. Além disso, 25,9% chefiavam unidades estendidas, formadas por núcleos mais parentes, e 13% formavam famílias unipessoais, ou seja, viviam sozinhas.

Ainda segundo a pesquisa, caiu o número de mulheres identificadas, nos lares cearenses, como cônjuges ou companheiras. Em 2012, elas eram 30,3%. Em 2017, esse percentual caiu para 28,1%. Por outro lado, cresceu o número de homens na mesma categoria: há seis anos, 7,5% deles eram cônjuges ou companheiros. Em 2017, foram 12%.

"O homem é tão importante na vida dos filhos quanto a mulher. A igualdade de gênero é que deve ser valorizada. Tudo depende mais do equilíbrio das relações na busca da felicidade da condição humana, independentemente de ser homem ou mulher. Não podemos idealizar a família como portadora do certo ou errado, do normal ou anormal", examina a professora Socorro Osterne, pesquisadora de Gênero, Família e Geração nas Políticas Públicas da Universidade Estadual do Ceará (Uece).

Idealização

Segundo ela, os grupos familiares estão suscetíveis a influências do contexto sócio-histórico aos quais estão vinculados. As famílias de hoje absorvem processos ocorridos desde a última década do século XX, como a entrada "maciça, duradoura e irreversível" da mulher no mundo do trabalho; o deslocamento nos papéis de gênero; a redução dos índices de fecundidade; o crescimento da concepção em idade mais precoce; o aumento do número de famílias monoparentais e o acrescentamento da perspectiva de vida.

Entretanto, observa a pesquisadora, a família não está morrendo, mas sendo idealizada. "A mesma sociedade que criou a família íntima e nuclear produziu as condições para que ela se desestruturasse depois", afirma Osterne, acrescentando que "a família contemporânea comporta enorme elasticidade", alimentando diferenças entre a família "pensada" e a família "vivida".

Distinções enfrentam ainda a mãe solteira, a mãe viúva e a mãe divorciada - contudo, mais por causa de julgamentos de ordem moral no imaginário social. "Mães solteiras e divorciadas sofrem mais preconceitos e discriminações. A ausência da figura masculina não é lamentada somente por conta dos filhos, mas porque o homem é considerado como o representante da força, da provisão e da moralidade. É o machismo que prevalece", analisa a doutora.

DIÁRIO DO NORDESTE

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