MÃE CONTA TER PERCORRIDO 4 DELEGACIAS PARA DENUNCIAR RACISMO CONTRA FILHOS, MAS NÃO CONSEGUE

Após supostos ataques racistas praticados por um vizinho contra seus dois filhos adotivos de 12 e 15 anos, uma mãe, de 36 anos, tenta há quase um mês denunciar o caso. Ela afirma que percorreu quatro delegacias de Fortaleza para tentar registrar o Boletim de Ocorrência (B.O), mas não teria conseguido. Em uma das unidades policiais, um delegado teria falado que não “havia necessidade” do registro. 



A mãe conta que os ataques têm forçado a família a mudar a rotina, já que os filhos estão assustados e vivem sob ameaças. “As crianças estão com medo de sair de casa”, lamenta. “Ele (o agressor) já jogou o carro contra meus filhos, chamando-os de negros bandidos, macacos, ‘viados‘ “, relatou por telefone. 

Primeira tentativa de denúncia foi no último dia 15 de março. De lá para cá, a mãe percorreu quatro unidades policiais, inclusive no 7º Distrito Policial, delegacia da área onde ocorreu o crime, mas não teria sido ouvida. Sem sucesso nas delegacias, a mãe foi no dia 27 de março registrar o caso na Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dececa).

“A delegada me deu uma representação para abertura de Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) para eu tentar fazê-lo”, explicou. Dececa teve que encaminhar uma representação solicitando apuração do caso à delegacia. Até o momento, O POVO Online não conseguiu contato com a Dececa. 

Segundo a mãe, o agressor conseguiu realizar um registro por injúria. ”A Polícia deu muito mais importância a uma pessoa ter sido xingada do que crianças sendo agredidas, do que uma tentativa de homicídio”, contestou. 

Por meio de nota, a Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) negou negligência. Disse ainda que o “caso foi transferido para o 7° Distrito Policial (DP), que ficará à frente das investigações, uma vez que os crimes foram cometidos no bairro Cristo Redentor - Área Integrada de Segurança (AIS 04)”. E alegou que serão “tomadas as medidas cabíveis”.

O POVO Online opta por não identificar os envolvidos para preservar as vítimas. 

Confira nota na íntegra: 
A Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) informa que um Boletim de Ocorrência (BO) sobre o crime de injúria racial foi registrado na Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dceca), no dia 27 de março. O caso foi transferido para o 7° Distrito Policial (DP), que ficará à frente das investigações, uma vez que os crimes foram cometidos no bairro Cristo Redentor - Área Integrada de Segurança (AIS 04). Ressalta ainda que não houve nenhuma negativa no que se refere ao registro da ocorrência junto à Polícia Civil. Por se tratar de um crime passível de representação, as vítimas já foram orientadas a comparecerem no 7° DP, na tarde de hoje (04), para serem ouvidas. As medidas cabíveis ao caso serão tomadas.

O POVO

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