PRESIDENTE MICHEL TEMER COMEÇAR A TIRAR CARGOS DE 'TRAIDORES'

O presidente Michel Temer deu início às punições dos deputados que votaram contra ele na segunda denúncia. O governo exonerou, ontem, o diretor de Gestão Interna da Embratur, Tufi Michreff Neto, apadrinhado do deputado Mauro Mariani (PMDB-SC). No Palácio do Planalto, oito deputados foram considerados "traidores" na votação da semana passada. Essa lista é formada por parlamentares que apoiaram Temer na primeira denúncia, mas viraram a casaca e votaram pelo prosseguimento da segunda denúncia.


As exonerações, num primeiro momento, devem se concentrar nos apadrinhados desses deputados, e alcançar seis cargos no segundo e terceiro escalões do governo. Nos próximos dias, Temer também deve exonerar os afilhados políticos do deputado Jaime Martins (PSD-MG) no Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

Além de Jaime e Mariani, integram a lista de "traidores" do Planalto os deputados Abel Mesquita (DEM-RR), Cícero Almeira (PODE-AL), Delegado Éder Mauro (PSD-PA), Heuler Cruvinel (PSD-GO), João Paulo Kleinübing (PSD-SC) e João Campos (PRB-GO).

O Diário Oficial da União de ontem trouxe ainda a exoneração de José de Arimateia Araújo do cargo de diretor da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Em outro ato, o Temer nomeou Alexandre Henrique Graziani Junior para o cargo. O Diário Oficial trouxe também decreto de exoneração de Carlos Roberto Fortner do cargo de diretor de Gestão e Tecnologia da Informação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Alta médica

Após deixar, ontem, o Hospital Sírio-Libanês, onde se internou no fim de semana para uma cirurgia de desobstrução da uretra, Temer conversou, por telefone, com a reportagem do jornal "O Globo". O presidente negou a existência de uma crise na relação com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e disse ter "zero" preocupação com uma eventual delação de um de seus amigos íntimos, o ex-ministro da Secretaria de Governo da Presidência Geddel Vieira Lima, preso no Presídio da Papuda, em Brasília.

"Zero (preocupação). Se você puder, coloque em letras garrafais", disse o presidente.

Sobre os dias de internação hospitalar, o presidente comentou: "Está tudo bem. Passei dois dias lá (no hospital), fiz uma raspagem, no canal. Mas foi tudo muito bem, sem problema nenhum. Segundo me disse o doutor Miguel Srougi (médico urologista, responsável pelo atendimento ao presidente), (o procedimento) dura até os 100 anos, o que já está bom".

Com os aliados indispostos a aprovar temas que desagradem o eleitorado, o presidente admitiu dúvidas para aprovar a Reforma da Previdência:

"Vamos ver. Primeiro, eu vou voltar para Brasília, vou conversar com os líderes, verificar como estão essas coisas, recompor tudo isso, né, de maneira que a gente possa prosseguir com as reformas", afirmou Temer.

E reconheceu dificuldades para recompor sua base aliada, depois das duas votações em plenário para barrar o avanço das denúncias oferecidas pelo ex-procurador-geral Rodrigo Janot.

"Você acha que eu não tive trabalho neste período todo? Você acha que eu andei passeando? Eu tive trabalho o tempo inteiro e não me assusta".


DN

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