ESTUDO REVELA QUE VIOLÊNCIA BATE RECORDE NO BRASIL

O número de mortes violentas intencionais registradas no Brasil chegou a 61.619 em 2016, um avanço de 4,7% em relação ao ano anterior. Isso significa que sete pessoas foram assassinadas por hora no país, em média, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgados ontem.


Os dados são tabulados pelo fórum, organização que reúne especialistas no tema, com base em informações fornecidas pelas secretarias de segurança públicas e polícias dos Estados.

A taxa média nacional de mortes violentas ficou em 29,9 assassinatos por 100 mil habitantes. Os três Estados com maiores taxas do país são os nordestinos SE (64), RN (56,9) e AL (55,9).

O critério de mortes violentas foi criado pela entidade para padronizar os dados dos Estados e soma homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais.

"A violência se espalhou para o país todo. Não é exclusividade dos grandes Estados ou de uma única região. É hoje um problema nacional, faz com que o país se sinta amedrontado", disse o presidente do fórum, Sérgio de Lima. "61 mil mortos é o que a gente tem de mais obsceno", na avaliação da diretora da entidade, Samira Bueno. "É muito sofrimento para uma nação isso estar em segundo plano".

Crise econômica

A alta de mortes aconteceu em meio à forte crise econômica, o que restringiu o orçamento dos Estados. Houve redução nos investimentos em segurança pública feitos por União, Estados e municípios. O total gasto na área em 2016 foi R$ 81 bilhões, queda de 3% em relação a 2015.

A crise e o aumento da violência, ao mesmo tempo, levaram os Estados a recorrerem à Força Nacional de Segurança Pública, coordenada pelo governo federal. Os gastos nessa área aumentaram 74% em um ano: saltaram de R$ 184 milhões para R$ 319,7 milhões em 2016.

Como evitar que as mortes violentas continuem subindo? "A ação acontece em duas pontas: primeiro, preciso melhorar a qualidade de vida das pessoas, para deixá-las menos expostas à gramática do crime. Depois que o sujeito comete o crime, devo trabalhar para que não haja reincidência", disse o professor da FGV Rafael Alcadipani, que cita a regulamentação das drogas para diminuir o poder do crime.

Para Daniel Cerqueira, pesquisador do IPEA, o investimento precisa ser mais em ações de inteligência e menos no que chama de polícia reativa, "espalhada pelas ruas para tentar, via policiamento ostensivo, refrear a violência". Já Olaya Hanashiro, conselheira do fórum, destacou o "papel fundamental" dos municípios em políticas de prevenção, "olhando para os grupos mais vulneráveis".


DN

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