PRESO, WESLEY BATISTA ATACA O MINISTÉRIO PÚBLICO

Em audiência na Justiça Federal após ser preso, o empresário Wesley Batista, sócio do grupo JBS, reclamou de sua detenção e partiu para o ataque contra o Ministério Público Federal (MPF).


"Não sei que crime cometi. Começo a achar que o crime foi ter assinado um acordo de delação com a Procuradoria-Geral da República. Pergunto se o crime que cometi foi ter me tornado colaborador", afirmou Wesley. Após ouvir o empresário, o juiz federal João Batista Gonçalves, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, acatou pedido da defesa de Wesley e determinou que ele permaneça preso na carceragem da Superintendência da Polícia Federal na capital paulista. Em geral, as pessoas detidas em regime de prisão preventiva pela PF são transferidas para instituições carcerárias estaduais, mas em seu despacho o juiz afirmou que a manutenção de Wesley na superintendência deve ocorrer "diante da pessoa e da causa".

A prisão ontem fez parte da segunda fase da Operação Tendão de Aquiles, que investiga, desde junho, se os irmãos Batista se beneficiaram de seu acordo de delação para lucrar no mercado financeiro, fazendo reservas.

A prática, no mercado, é apelidada de "insider trading". Documentos apresentados pela JBS à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mostram que pessoas ligadas aos Batista venderam R$ 200 milhões em ações da empresa alguns dias antes da divulgação do acordo com a PGR, em 17 de maio deste ano.

O vice-presidente da J&F Investimentos, Francisco de Assis e Silva, disse à reportagem que a defesa do grupo empresarial, controlador da JBS, criou uma comissão independente de apuração interna e contratou uma empresa de auditoria dos EUA para comprovar que os dirigentes da companhia não usaram informações privilegiadas em operações no mercado financeiro. "Não houve insider trading. Isso não existiu", disse.

Pedido de revogação

Os delatores Joesley Batista e Ricardo Saud, do grupo J&F, controlador da JBS, pediram ao ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), a revogação da prisão temporária. Eles foram presos no domingo (10), por determinação de Fachin, a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. O PGR investiga se os colaboradores omitiram informações dos investigadores.


DN

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