PELA SEGUNDA VEZ LEITURA DE DENÚNCIA DE TEMER É ADIADA NO PLENÁRIO DA CÂMARA

Uma nova tentativa de leitura da denúncia contra o presidente Michel Temer em plenário da Câmara foi frustrada na tarde de ontem. Por falta de quórum, a sessão foi adiada para hoje, às 11h30.


Para que a denúncia pudesse ser apresentada aos parlamentares era necessária a presença de pelo menos 51 dos 513 deputados, mas apenas 23 registraram presença na Casa. Chico Alencar (PSOL-RJ), um dos presentes no plenário, avaliou ser "muito estranho" que a "base esteja fazendo corpo mole para a leitura de um mero relatório".

"A base do governo, que teria total facilidade para acelerar esse processo, não está vindo. Cada gesto de deputado da base aqui tem um custo. Cada dia que se perde, uma nova delação pode aparecer. Isso tudo é muito incômodo para o governo". Para Alencar, a falta de quórum pode ser uma sinalização da base para mostrar que sem o apoio dela, "o governo não anda".

No relatório entregue ao STF em 16 de setembro, o ex-procurador acusa Temer de integrar uma organização criminosa e de obstrução à Justiça.

Ontem, depois de uma reunião de cerca de duas horas com a presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que não cabe o fatiamento da votação da denúncia contra Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência)

Também foi adiado o anúncio do nome do relator da denúncia contra o presidente na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

CPMI da JBS

O governo federal irá utilizar a CPMI da JBS como linha auxiliar de ataque de Temer à segunda denúncia contra ele.

O Palácio do Planalto mobilizou a tropa de choque governista a se revezar a partir desta semana na CPMI e na CCJ, que analisará a denúncia apresentada pela PGR (Procuradoria-Geral da República).

A estratégia, citada em reunião no domingo (24) entre o peemedebista e líderes do governo, começará a ser colocada em prática no depoimento do procurador Ângelo Goulart Villela.

A CPMI da JBS adiou de hoje para amanhã o depoimento de Vilella, suspeito de receber propina para vazar informações sobre investigações.

O objetivo é direcionar o depoimento do procurador para que ele relate os métodos adotados pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot na negociação de acordos de delação premiada, em especial o do empresário Joesley Batista.

A base aliada tentará obter de Villela declarações que indiquem que Janot pode ter pressionado delatores a prestar informações sobre alvos que sua equipe pretendia investigar.

Com isso, o governo federal espera fortalecer a narrativa da defesa de Temer, que afirma que Janot perseguiu Temer e direcionou as delações da JBS.

"Tudo o que veio do ex-procurador-geral não merece crédito, não tem credibilidade. A denúncia é uma peça absurda", criticou o novo advogado de Temer, Eduardo Carnelós.


DN

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