OPERAÇÃO DA POLÍCIA FEDERAL MIRA NA FAMÍLIA DO SENADOR ROMERO JUCÁ

A Polícia Federal (PF) cumpriu 17 mandados judiciais - nove de busca e apreensão e oito de condução coercitiva, ontem, em Boa Vista (RR), Brasília (DF) e Belo Horizonte (MG). Entre os alvos estão filhos e enteados do senador Romero Jucá (PMDB-RR).


O objetivo da operação é investigar uma organização criminosa acusada de peculato, lavagem de dinheiro e desvio de dinheiro público, que alcança a cifra de R$ 32 milhões.

Na lista dos alvos de busca e apreensão e - também condução coercitiva - estão Ana Paula Surita Macedo, Luciana Surita Macedo e Rodrigo de Holanda Jucá.

Rodrigo, que é filho de Jucá, já tinha sido citado em investigações sobre suposto recebimento de dinheiro em 2014 a partir de doações da Odebrecht.

De acordo com a PF, o desvio de R$ 32 milhões tem como origem o superfaturamento na aquisição da "Fazenda Recreio", localizada em Boa Vista (RR), que foi vendida para a Caixa Econômica Federal em 2013.

Todos os três investigados acima estão registrados como donos da Fazenda.

O local serviu, após a compra pela Caixa, para a construção do empreendimento Vila Jardim, do projeto Minha Casa, Minha Vida, no bairro Cidade Satélite.

A Polícia Federal afirma que são investigadas as transações decorrentes da venda da Fazenda Recreio à Caixa, para construção do Vila Jardim, e também a fiscalização e aprovação do empreendimento na Caixa.

As investigações vão ter continuidade a partir da análise do material apreendido e dos depoimentos colhidos. Também está sendo apurada a participação de outros integrantes.

A Polícia Federal também prendeu um ex-genro de Jucá (PMDB-RR) na operação Anel de Giges. O marido de Luciana Surita, ex-enteada de Jucá, foi preso em flagrante por posse ilícita de um fuzil 762, uma pistola .45 sem registro e munição.

As armas foram encontradas durante a busca e apreensão realizada em endereços ligados a Luciana, que é filha da prefeita de Boa Vista e ex-mulher do senador Jucá, Teresa Surita.

Anel de Giges

A operação é inspirada em citação do Livro II de "A República", do filósofo Platão, na qual é discutida a Justiça.

O Anel de Giges permite que seu portador fique invisível e cometa ilícitos sem consequências.

Em nota enviada à imprensa, Jucá disse repudiar a ação contra seus familiares.

O líder do PMDB no Senado chamou o caso de "espalhafatoso capítulo", disse não temer investigação e afirmou estar indignado. O senador declarou ainda que "ninguém vai intimidá-lo".


DN

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