JOESLEY BATISTA DIZ QUE JANOT SABIA 'DE TUDO' SOBRE DELAÇÃO

"O Janot sabe tudo. A turma já falou para o Janot". Em um dos trechos da conversa entre Joesley Batista e seu lobista Ricardo Saud, o dono da J&F (controladora da JBS) sugere que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sabia sobre a delação premiada do grupo. A suposta data da gravação é 17 de março, quando oficialmente as tratativas da PGR com a J&F não tinham iniciado - o que teria ocorrido no dia 27 de março.

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Em outro trecho do diálogo, Saud insisti em saber se Janot sabia por meio de "Marcelo".

Joesley diz: "Vamo lá. Vamo dar um passo atrás. Na minha cabeça, o Marcelo é do MPF, ponto. O Marcelo tem linha direta com o Janot. Quando eu falo Janot, é Janot, Pellela... Tudo a mesma coisa".

Na sequência do diálogo, o dono do Grupo J&F - que agora pode perder os benefícios da delação - diz que não falou com Janot. "É um amigo em comum". Segundo eles, o procurador-geral da República iria trabalhar com Miller no escritório de advocacia para onde ele foi: o Trench, Rossi e Watanabe. O escritório fez o acordo de leniência da empresa. Miller está sob suspeita da instituição que serviu até deixar a carreira para se dedicar à advocacia e à JBS. Na segunda-feira, o procurador-geral da República anunciou a abertura de investigação sobre a conduta do ex-colega.

Janot disse que "não tem coragem, mas medo de errar". "Eu não tenho coragem alguma, na verdade o que eu tenho é medo e o medo nos faz alerta", declarou Janot, ontem.

Ele disse ainda que viveu seus "dias mais tensos e dos maiores desafios desse período".

"Alguém disse para mim 'você realmente é um homem de muita coragem'. Aí eu parei e pensei, será que eu sou um cara de coragem mesmo? Tive a conclusão que eu não tenho coragem alguma. Na verdade, o que eu tenho é medo e o medo nos faz alerta".

"E medo de quê? Medo de errar muito e medo de decepcionar minha instituição. Todas as questões eu enfrentei muito mais por medo de errar, medo de me omitir, medo de decepcionar a minha instituição, do que por coragem de enfrentar esses enormes desafios".

Defesa

Marcello Miller informou, ontem, em nota enviada por sua assessoria, que "não cometeu qualquer crime ou ato de improbidade administrativa". Miller disse que "está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos".


DN

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