CÂMARA DOS DEPUTADOS CONCLUI A LEITURA DA 2ª DENÚNCIA CONTRA MICHEL TEMER

A denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB-SP) e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria de Governo) ainda não chegou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, mas o governo já começou a fazer troca de membros ontem.


O deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP), que havia votado a favor de Temer na primeira denúncia, voltou a ser titular da comissão -estava como suplente. Além disso, governistas já identificaram dois deputados de partidos aliados que, em plenário, votaram a favor da primeira denúncia contra Temer, por corrupção passiva.

Expedito Netto (PSD-RO) e Jorginho Mello (PR-SC) ingressaram na CCJ como titulares somente após a votação da primeira denúncia. Agora, o Planalto quer trocá-los antes que o colegiado vote a segunda denúncia por crimes de organização criminosa e obstrução de Justiça.

Segunda secretária da Mesa Diretora da Câmara, a deputada Mariana Carvalho (PSDB-RO) concluiu, às 17h36 de ontem, a leitura no plenário da Casa da segunda denúncia. A leitura durou quase cinco horas e meia.

Após concluída a leitura, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), determinou que a Casa notifique Temer, Padilha e Moreira para que apresentem defesa. A notificação será feita hoje pelo 1º secretário da Câmara, Fernando Giacobo.

A movimentação agora na Câmara lembra os dias que antecederam a votação da primeira denúncia, que foram marcados por diversas trocas de membros para garantir vitória de Temer.

Ontem, a oposição apresentou questões de ordem sobre a possibilidade de fatiar a denúncia, desmembrando o caso de Temer do dos ministros. O deputado Alessandro Molon (Rede-RJ) disse estar estudando apresentar um mandado de segurança ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a suspensão da tramitação na Câmara até que a Corte tome uma decisão.

Bancada cearense

A CCJ conta com três deputados cearenses entre os titulares. Sobre o trâmite da nova denúncia, os deputados Genecias Noronha (SD) e Domingos Neto (PSD) preferiram não se pronunciar até terem mais conhecimento acerca das acusações apresentadas pela PGR. Já o deputado Danilo Forte (PSB) abdicou do cargo de vice-líder do governo na última segunda-feira (25) alegando "incompatibilidade com o cargo" ocupado por ele na CCJ.

Ontem, o diretório nacional do PSB decidiu fechar questão para obrigar os deputados do partido a votarem pela aceitação da segunda denúncia.

"Como se trata de uma denúncia contra o governo, não me sentiria confortável a julgar nessa condição, por isso pedi meu desligamento", explicou. Segundo o parlamentar, o envolvimento dos ministros fragilizou ainda mais o governo e aumentou a insegurança da população.

Para o deputado José Guimarães (PT), o processo da denúncia tem que ser conforme o regimento, "sem protelar e nem apressar". A expectativa, segundo ele, é que seja concluído até a metade de outubro. "Enquanto isso, o Brasil continua sangrando, porque o governo não faz mais nada só cuida de denúncia", declarou o petista. Já para o deputado André Figueiredo (PDT), a tramitação da denúncia será semelhante a anterior, porém, ele acredita que, "a votação será diferente, até porque os fatos são muito mais graves".

PGR

Já a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, afirmou, ontem, que dará continuidade à denúncia contra Temer caso a Câmara autorize que a acusação seja processada pelo STF. Ela evitou analisar o mérito ou supostos problemas da denúncia, que tem sido levantados pela defesa de Temer. Segundo ela, "não cabe fazer análise". Ontem, no esforço de manter o clima de normalidade no Planalto, Temer anunciou R$ 3 bi em microcrédito ao ano para beneficiários do Bolsa Família. Ele lançou o programa Progredir, que prevê aos beneficiários 1 milhão de vagas do Pronatec e oficinas técnicas.


DN

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