APÓS DETERMINAÇÃO DE PRISÕES DELATORES JOESLEY E RICARDO SAUD SE ENTREGAM À POLÍCIA FEDERAL

O empresário Joesley Batista e o diretor da JBS Ricardo Saud se entregaram à Polícia Federal (PF) por volta das 14h de ontem. Eles chegaram em carros separados na Superintendência da PF na Lapa, Zona Oeste de São Paulo, sem dar declarações à imprensa.


Atendendo a um pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, Fachin determinou a prisão temporária de Joesley e Saud, sob a suspeita de terem descumprido acordo de delação premiada ao omitir informações dos procuradores.

Eles teriam conseguido informações privilegiadas com o ex-procurador Marcelo Miller, como sugerem gravações entregues à PGR.

Fachin decidiu também suspender o acordo de delação da dupla da JBS, celebrado em maio com a Procuradoria e que previa a imunidade penal de ambos. Janot solicitou essa medida para aproveitar o período de prisão e buscar provas que comprovem a atuação de Miller e outras informações omitidas. A partir dessa apuração, vai decidir se pede a anulação da colaboração ou alterações no seu conteúdo.

Na sexta-feira (8) à noite, a defesa de Joesley e Saud já havia entregue os passaportes dos dois delatores à Justiça, numa tentativa de mostrar que eles não teriam interesse de fugir. Na decisão que pediu a prisão dos executivos, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que há "múltiplos os indícios, por eles mesmos confessados, de que integram organização voltada à prática sistemática de delitos".

O prazo inicial é de cinco dias de detenção para Joesley e Saud. Após esse período, a medida pode ser convertida em prisão preventiva (sem prazo para terminar). Ou resultar na soltura dos dois, conforme Fachin.

A PF não informou ainda quando eles serão transferidos para Brasília. Segundo o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro (Kakay), a viagem deve acontecer hoje. Antes, é esperado que os dois executivos façam o exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML). Em nota à imprensa, a J&F informou que Joesley e Saud não mentiram nas suas delações.

Conversa em bar

O procurador-geral da República e o advogado de Joesley Batista, Pierpaolo Bottini, se encontraram em um bar em Brasília no sábado (9), um dia depois de a Procuradoria pedir a prisão do cliente dele e de outro delator do grupo, Ricardo Saud.

O registro foi publicado no site "O Antagonista".

Repercussões

O vice-líder do PMDB na Câmara, deputado Carlos Marun (MS), avaliou a prisão do empresário Joesley Batista e executivo Ricardo Saud como 'natural'.

Afirmou que a prisão é uma consequência já prevista "desta farsa na qual se constituiu esse processo de delação e colaboração premiada desse marginal".

O deputado lembrou que, em 23 de maio, chegou a protocolar na Procuradoria Geral da República (PGR) um pedido de investigação da atuação do ex-procurador Marcelo Miller nesse caso da delação da JBS. "Infelizmente, pelo jeito, eu acompanhei o andamento desse processo e ele estava parado já há mais de três meses no gabinete do procurador Janot.

Foi necessário que fosse entregue uma fita, um áudio, gravado por essa turma que começa a gravar todo mundo e acaba gravando eles mesmos, para que essa farsa se revelasse".

O deputado Alexandre Baldy (Podemos-GO) disse que a prisão de Joesley e Saud ajuda na defesa jurídica do presidente Michel Temer, no caso de uma eventual segunda denúncia.

"A prisão ajuda na defesa jurídica, mas a segunda denúncia ainda é desconhecida, se tornando um desafio mais político do que jurídico, já que a prisão de Joesley auxilia na tese de desconstruir o ataque jurídico".

O líder do Democratas na Câmara dos Deputados, Efraim Filho (PB) disse que a prisão mostra que a Justiça começou a ser feita. "Essa turma havia cometido diversos ilícitos e (eles) saíram impunes, com um acordo de delação camarada", afirmou.

"A justiça começa a ser feita. Com a prisão, os benefícios que haviam sido concedidos aos executivos da JBS por meio do acordo de delação premiada estão suspensos. Desde o início esses benefícios nos pareceram exagerados. A sociedade não aceita mais a impunidade", disse.

Vice-líder do DEM na Câmara, o deputado Pauderney Avelino (AM) afirmou que a prisão de Joesley enfraquece uma eventual segunda denúncia contra o presidente Temer que pode ser apresentada por Rodrigo Janot.


DN

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