RODRIGO JANOT AFIRMOU QUE 'CONGRESSO REAGE À LAVA-JATO COMO ACONTECEU NA ITÁLIA

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou, ontem, que o modo como deputados brasileiros reagem à Lava-Jato se assemelha ao que aconteceu na Itália durante as Operações Mãos Limpas, também de combate à corrupção.


"Se a gente fizer um paralelo do que aconteceu na Itália e do que aconteceu aqui, boa parte do que se passou na Itália se passou ou está se passando aqui no Brasil. Basta olhar as iniciativas legislativas feitas na Itália e as iniciativas legislativas que são apresentadas aqui", disse o procurador em evento no Rio promovido pelo jornal "O Globo".

"Algumas iniciativas do Congresso geraram perplexidade. Uma delas foi a do abuso de autoridade, que estava em tramitação desde 2006. Caminhava, parava, caminhava, parava, mais ou menos com algum andamento mais marcante das investigações. O abuso de autoridade chamou a atenção. Causou preocupação o fato de tentarem implantar o crime de hermenêutica. O direito se dá com interpretação. Ser tipificado como crime é muito complicado", afirmou.

Raquel Dodge

Janot comentou ainda o fato de sua sucessora na PGR, Raquel Dodge, ter tido encontro com o presidente Michel Temer (PMDB) fora da agenda.

Sem querer fazer juízo de valor, disse que não tem esse tipo de conversa extraoficial.

Raquel foi ao Palácio do Jaburu à noite e, posteriormente, ela declarou que havia tratado de sua posse com o presidente. Janot também reafirmou que não será candidato a qualquer cargo público em 2018.

"Uma das formas de se fazer pressão a encarregados de órgãos de controle é tentar desqualificar sua atuação profissional, tentar vincular ao trabalho que faço hoje um jogo político futuro. Eu já falei que não sou e não serei candidato a coisíssima alguma, presidente, governador de Minas Gerais, deputado, vereador, nem a síndico de prédio".

Futuro

Respondendo a perguntas de jornalistas, Janot disse, sobre a delação premiada da JBS, que se os delatores omitiram crimes relacionados ao PT, "a responsabilidade é deles".

"Eu não tenho investigado preferido, criminoso predileto. A colaboração deve ser espontânea", disse.

Janot afirmou também que, depois de se aposentar, ao deixar o posto na PGR, gostaria de se dedicar ao magistério, a um trabalho como consultor ou na área de compliance de empresas. Este setor se dedica a regular as empresas internamente de modo a prevenir que sejam cometidos crimes. Ele lembrou que passará por um período sabático de 3 anos. Nesse tempo, não poderá exercer a advocacia.

Jucá denunciado

Janot denunciou, ontem, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) sob acusação de corrupção e lavagem de dinheiro por supostamente ter pedido e recebido propina de R$ 150 mil para beneficiar a empreiteira Odebrecht na tramitação de duas medidas provisórias em 2014.

O delator Cláudio Melo Filho, ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht, também foi denunciado por supostamente ter ajustado e pago a propina por meio de doação oficial ao filho do senador, Rodrigo Jucá, candidato a vice-governador de Roraima em 2014.


DN

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