PRESIDENTE TEMER PEDE 'MAPA DOS DEPUTADOS TRAIDORES' A ALIADOS

O presidente Michel Temer escalou aliados para mapear os deputados que traíram o governo durante a votação da denúncia na Câmara, ontem. Temer conseguiu barrar a denúncia com 263 votos, mas previsões de integrantes da base aliada apontavam que esse número poderia chegar a 300.


Os responsáveis por fazer esse levantamento serão o líder do governo na Câmara, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), e o vice-líder Beto Mansur (PRB-SP). A ideia é que eles procurem conversar com os deputados que prometeram que votariam com o governo, mas que, na hora de declarar a posição no plenário, mudaram de ideia.

Entre as traições inesperadas estão, por exemplo, Luiz Carlos Heinze (PP-RS), que faz parte da bancada ruralista, e do cantor Sérgio Reis (PRB-SP), que estava sendo pressionado pela legenda a votar com o governo.

Os líderes também vão buscar descobrir o motivo de cada um dos 16 deputados que se ausentaram do plenário e não participaram da votação. Há nomes que eles já sabem o porquê, como o do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), ainda magoado com o governo após ter sido demitido do Ministério da Justiça.

Segundo Beto Mansur, a ideia não é fazer uma "caça às bruxas", mas ter uma noção real do tamanho da base aliada após a votação. "Nós vamos fazer uma análise, não é uma caça às bruxas de jeito nenhum, até porque não é minha função fazer isso. Vamos fazer um levantamento para saber o tamanho da base e nos prepararmos para votações futuras", disse.

Rebeldes

Ontem, o PR, que controla o Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil e possui indicações em bancos públicos, anunciou que vai acionar o Conselho de Ética da legenda para analisar o caso dos deputados que votaram contra a orientação do partido e a favor da denúncia contra Temer.

O PR fechou questão em apoio do presidente, mas nove dos 40 votos foram favoráveis à investigação. O partido vai analisar, na próxima semana, caso a caso, o comportamento dos parlamentares nas votações anteriores, para definir se cada um sofrerá punição, segundo o líder José Rocha (PR-BA). "Temos que ver que é rebelde mesmo", disse.

As sanções variam de uma advertência à expulsão, passando por suspensão temporária das atividades partidárias. Segundo Rocha, há casos de parlamentares que não tiveram emendas liberadas, como ele próprio, e outros que votaram contra Temer por questões estaduais, como a base eleitoral que rejeita o peemedebista.

Punição

Um dos punidos imediatamente após a denúncia de Temer ter sido rejeitada no Congresso foi o deputado Alexandre Baldy (Pode-GO). Ele perdeu o cargo de líder da legenda por causa da proximidade com o Palácio do Planalto, segundo a presidente da legenda, deputada Renata Abreu (Pode-SP). Ela diz que o partido deve seguir independente do Planalto. Baldy votou contra a denúncia de Temer e será substituído por Ricardo Teobaldo (Pode-PE), que votou da mesma maneira.

'Processo kafkiano'

Temer afirmou, ontem, que tem vivido um "processo kafkiano" e ressaltou que têm sido derrotados todos aqueles que querem afastá-lo do Palácio do Planalto.

A fala do peemedebista é uma referência à obra "O Processo", do autor tcheco Franz Kafka (1883-1924), na qual um funcionário de uma instituição financeira é acusado de um crime que ele não sabe qual é.


DN

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