PRESIDENTE DO SUPREMO PROPÕE 'AÇÃO DA CIDADANIA CONTRA A CORRUPÇÃO'

A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, propôs, ontem, que a sociedade se inspire na iniciativa de mobilização contra a fome proposta nos anos 1990 pelo militante Hebert de Souza, o Betinho, e promova uma "Ação da Cidadania contra a Corrupção".

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Para ela, seria uma forma de transformar "ideias e indignação" em ações e resposta à crise institucional decorrente dos escândalos recentes envolvendo a classe política no país.

"Ele dizia que começava o dia rezando 'Pai nosso, que estás no céu', porque ele acredita na divindade. Depois de andar pelo Brasil, começou o seu dia com 'o pão nosso de cada dia'. Porque é o pão que fazemos juntos e que distribuímos e comemos juntos. Ele dizia 'tenho fome de humanidade'. Acho que nós hoje temos a fome de Justiça, de liberdade, mas principalmente, da nossa segurança de sabermos de que poderemos ter um Brasil muito melhor", afirmou Cármen Lúcia, durante evento de debates sobre a Justiça Brasileira promovido pela rádio Jovem Pan.

Tratando a corrupção como algo que "corrói as instituições, deteriora a política e descontrola a economia", além de fator de "destruição institucional", a ministra do STF defendeu a ética como uma imposição, e não uma escolha da sociedade, de modo que a "honestidade seria um dever de todos nós". Ela citou o comportamento de quem busca "tirar vantagem em tudo" -seja ao furar uma fila ou pagar propina a agente público- como expressão da "negativa da solidariedade com o outro".

"É preciso plantar e colher um Brasil ético e solidário. Estamos todos no mesmo barco. Se der certo, chegaremos a um bom porto, se der errado, afundaremos todos nós", afirmou.

Ideias banidas

Para Carmen Lúcia, três ideias recorrentes no discurso de corruptos e corruptores deveriam ser banidas: as percepções de que tudo "sempre foi desse jeito", "eu sigo o que outros faziam" e "esse negócio de mudar contraria muitos interesses".

Coube à ministra encerrar o fórum, num discurso de meia hora em que defendeu a necessidade de não desistir do país. "Quero mudar o Brasil, não quero me mudar do Brasil".

Dispensando nomes aos bois, ela rechaçou soluções fora da política para recolocar o país nos trilhos. "Não demonizo a política. Não acho que devemos viver fora dela. Se tem corrupção, o que devemos fazer é mudar a forma de fazer política".

A ministra lamentou por sermos "um povo capaz de fazer as melhores leis", mas com dificuldade crônica de cumpri-las.

"A gente fez a Lei Maria Penha e temos uma mulher estuprada a cada seis minutos no Brasil", afirmou a magistrada.


DN

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