'JOÃO PRESINHA' NEGA SER LÍDER DE FACÇÃO CRIMINOSA

Ameaçado de morte nas redes sociais por supostos integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV) e apontado por setores da Polícia como o "chefão" do tráfico de drogas no bairro Lagamar, João Bosco da Rocha, 52, o 'João Presinha', afirma que tem medo de morrer e está "tangido" em casa. Em entrevista exclusiva ao Diário do Nordeste, ele negou ser líder da facção Guardiões do Estado (GDE), afirmou nunca ter matado e nem mandado matar ninguém e que, há mais de dez anos, está afastado de atividades criminosas.


"Nunca fui o chefe de ninguém, de nada, pode investigar minha vida no Lagamar. O que eu estou dizendo aqui é tudo verdade. Trabalhei, mas comecei a vender droga com 17 anos, com 21 eu fui preso. Aí, de lá para cá me soltei, comecei a vender de novo", disse revelando a história de vida no Lagamar, que já tem mais de 40 anos. Hoje, o homem, que veio de Jaguaruana para Fortaleza com cinco anos de idade, afirmou viver da renda de R$ 3.600 obtidos com o aluguel de 12 casas no Lagamar.


Durante a entrevista realizada no escritório da advogada Erbênia Rodrigues, 'João Presinha' demonstrou preocupação com as recentes notícias de que seria líder da facção GDE. "Eu nunca matei ninguém, não sou chefe de GDE, não sou nada. Eu sou uma pessoa de bem, não tenho nada a ver sobre o que tá acontecendo aí. Moro há 45 anos lá (Lagamar). Nunca prejudiquei ninguém, nunca derramei sangue de ninguém. Essas coisas que tá (sic) correndo na rede social, que a Polícia bota, não tenho nada a ver com isso. Eu convivo ali no Lagamar, ajudo as pessoas, morei lá direto. Se a Polícia quiser me investigar, me investigue. Eu queria que o secretário (da Segurança Pública, André Costa), fosse investigar minha vida. A Polícia investigue quem são os autores, que eu não sou matador, nunca matei".

João Bosco não quis comentar a suposta briga com Rogério de Oliveira Cury, o 'Rogério Bocão', que seria rival dele e atualmente está preso acusado de homicídio e tráfico de drogas. "Eu não quero falar sobre a vida de ninguém, só sobre a minha". No entanto, confirmou que os quatro homens que morreram em confronto com a Polícia em junho deste ano, na localidade de Tapera em Aquiraz, planejavam sua morte. "Foram me matar. Tô (sic) ameaçado", disse.

Apesar das ameaças e de sentir medo, 'João Presinha' não deixou de andar pela comunidade e de jogar futebol nos fins de semana. "Medo a gente tem né, porque bandido tem em todo canto. Todo canto, é gente de menor se metendo, 13, 14 anos, querendo matar gente. Matam e pronto. E não dá nada pro de menor (sic). Quando chega final de semana, que eu gosto de jogar uma bolinha, aí bate aquele verme e eu vou, com medo, mas tem que ir. É o meu lazer sair dia de domingo, jogar uma bolinha no sábado, tomar minha cachacinha e dormir", confessa.

Processos

Condenado e com pena já cumprida em um processo por tráfico de drogas em 1991 e aguardando em liberdade a recurso de apelação por outra ação condenatória, por igual crime, em 2004, 'João Presinha' diz que há dez anos deixou de atuar na venda de entorpecentes a pedido da filha. "Minha filha começou a jogar, entrou na Seleção (Brasileira), aí ela pediu 'pai, saia disso aí, não dá pra você mais não'. 'Vou sair minha filha'. Saí pelo pedido da minha filha. Eu estou tranquilo", relatou.

Ele afirma estar arrependido de um dia ter ingressado no mundo do crime. "Eu me arrependo de entrar nessa desgraça de droga. Me arrependo porque só o que dá é isso aí, olho grande, essas coisas. Tô saindo e levando nome direto. 'João Presinha, João Presinha'", desabafa. Questionado sobre o motivo da alcunha, João Bosco esclarece que tudo começou por conta de um dente maior que os demais. "Tinha um dentão aqui que era desse tamanho (mostra os dentes). Aí eu jogava bola e o pessoal dizia 'olha o Presinha'. Aí pegou, não sai mais não".

Filhos

Uma fonte da Polícia Militar conversou com a reportagem e disse que 'João Presinha' não estaria mais na linha de frente do tráfico de drogas e que não há nenhum homicídio comprovado que tenha relação com ele. Entretanto, os quatro filhos homens de João seriam as pessoas que, hoje, comandam o tráfico na região e o pai seria o financiador. "Ele ('João Presinha') não é o líder da GDE no Estado, mas no Lagamar são os filhos dele. E quem financia é ele. Um dos filhos está preso por tráfico, outro está em liberdade condicional por um homicídio praticado no Carnaval deste ano e outro estaria com prisão preventiva", revelou o servidor.

Segundo o policial militar, 'João Presinha' é um traficante à moda antiga. "Ele respeita o morador, dá remédio, ajuda, mas os filhos dele são da geração atual, são violentos", disse o PM.


DN

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