INADIMPLÊNCIA EM QUEDA, BENEFICIA O COMÉRCIO É A MENOR TAXA DESDE O INÍCIO DO ANO ATÉ AGORA

Com a ajuda dos recursos sacados das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do 13º salário, alguns fortalezenses que estavam com dívidas em atraso conseguiram ficar mais aliviados em agosto. De acordo com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio-CE), o percentual de consumidores nessa situação caiu de 22,9% em julho para 20,9% neste mês, menor taxa desde janeiro deste ano.

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Os dados fazem parte da Pesquisa do Endividamento do Consumidor de Fortaleza para o mês de agosto, divulgada nessa terça-feira (22). Além do percentual de consumidores com dívidas em atraso, caíram ainda neste mês a fatia de fortalezenses inadimplentes, de 10,4% em julho para 9,9% em agosto e o próprio endividamento, que retraiu 4,2 pontos percentuais ao passar de 67,9% em julho para 63,7% neste mês.

Com o resultado, o endividamento na Região Metropolitana de Fortaleza chegou, em agosto, ao menor nível desde março, quando a taxa estava em 63%, conforme a Fecomércio-CE. Menos endividado, o fortalezense chega ao oitavo mês deste ano também com a renda menos comprometida, percentual que passou de 34,6% em julho para 33,6% em agosto, menor desde janeiro (32,8%).

Para a diretora institucional da Fecomércio-CE, Cláudia Brilhante, a expectativa é que os resultados positivos continuem se repetindo nas próximas pesquisas. "O segundo semestre sazonalmente já tem essa tendência de melhora. O consumidor pagou suas dívidas e agora está cuidadoso e mais consciente quanto aos gastos".

Entretanto, ela destaca que isso deve se confirmar se não houver a interferência de algum fato político negativo. "A tendência é positiva, claro, desde que não tenhamos nenhum novo fato político que venha a abalar a economia", frisa Cláudia Brilhante.

Comprometimento da renda

Apesar de ter caído ao menor patamar desde janeiro, o comprometimento da renda, que ficou em 33,6% em agosto, ainda registra números elevados, segundo a diretora institucional da Fecomércio-CE. "Ainda é preocupante sim. A taxa 'ideal' de comprometimento que consideramos é abaixo de 30%. Atualmente, ela ainda está acima deste patamar, mas consideramos um resultado animador pelas retrações que têm sido observadas", avalia.

De acordo com o levantamento da Fecomércio-CE, o tempo médio que as pessoas passam com contas em atraso é de 77 dias, mas 52,5% dos entrevistados afirmam passar mais de 90 dias para pagar, o que os coloca no grupo de consumidores inadimplentes.

"Esse tempo de atraso ainda é preocupante, porque são muitos dias e as empresas estão deixando de ganhar", expõe a diretora institucional da Fecomércio-CE. O valor médio das dívidas está em R$1.186.

As despesas com alimentação seguem mais uma vez com destaque nas compras no crédito, com 62,1% dos entrevistados dizendo que esse é o principal item adquirido dessa forma. Artigos de vestuário aparecem em seguida com 38,4% e logo depois estão aquisição de eletroeletrônicos (30,5%); e realização de despesas de educação e saúde (28%).

"As pessoas ainda não perceberam a gravidade de comprar alimentação com cartão de crédito. A gente está sempre alertando para isso, mas falta ter a consciência de que, se você não tem como pagar aquele valor por mês e mesmo assim compra, quando a fatura chegar, vai acabar pagando só o mínimo e isso vira uma bola de neve", alerta Cláudia Brilhante.

Motivos

Dentre as causas para o atraso no pagamento das dívidas, o desequilíbrio financeiro é a mais citada, levando 68,2% dos consumidores a estarem nessa situação. Ao mesmo tempo, 79% das pessoas que participaram do levantamento afirmaram fazer orçamento e controle de rendimentos e gastos. "Muitas vezes as pessoas até fazem um orçamento, mas, na prática, não seguem. E o principal motivo para isso é a diferença entre a renda e o que elas gastam", explica Cláudia.

Ela detalha ainda que a disparidade entre o que se ganha e o que se gasta é decorrência de dois fatores: o primeiro é o aumento nos preços de energia elétrica, itens de alimentação, entre outros que impossibilitam o consumidor de conseguir pagar todas as contas com o mesmo salário de antes dos aumentos. O segundo diz respeito às compras por impulso que, mesmo em momentos de crise econômica, ainda continuam sendo realizadas por consumidores, que são atraídos por preços baixos e condições de pagamento aparentemente favoráveis.

"Nossa recomendação é sempre que as pessoas tenham cautela na hora de comprar, que pensem se aquele gasto é realmente necessário e que priorizem o pagamento das dívidas. Nós estamos muito otimistas e acreditamos que este ano de 2017 encerrará bem melhor que 2016", finaliza Cláudia Brilhante.


DN

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