EM JULHO HOMICÍDIOS AUMENTAM PELO MENOS 50% NO CEARÁ

Os expressivos números referentes aos assassinatos registrados em julho de 2017, no Ceará, mostram que a violência não cessa. Somente nesse último mês, foram mortas, pelo menos, 383 pessoas no Estado. Em julho de 2016, foram 255 vítimas de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) - homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte.

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Ao se comparar os períodos, é percebido um aumento de 50%. A diferença deve aumentar quando forem divulgados os dados consolidados da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). No site da Pasta, ainda faltam as ocorrências dos cinco últimos dias do mês e os casos em que as vítimas foram socorridas aos hospitais do Estado, mas não resistiram.

Em entrevistas recentes, o titular da SSPDS, André Costa, vem afirmando que o aumento das mortes violentas se deve a uma guerra travada entre as facções criminosas. Em meio ao desentendimento dos grupos que disputam território para traficar drogas, morrem pessoas que não têm relação com o crime.

O pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência (LEV) e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Leonardo Sá, atribui o crescimento de mortes à facilidade do acesso a armas de fogo. Segundo o professor, o mercado do armamento é intenso e muito lucrativo.

"As apreensões de armas nas ruas é importante, mas, em conversa com policiais, eu já ouvi deles que essa prática dá a sensação de enxugar gelo. As armas nas mãos das pessoas levam letalidade aos conflitos. Uma discussão que poderia se resumir a tapas termina em alguém morto", exemplificou Leonardo Sá.

De acordo com a SSPDS, foram intensificadas ações para o combate ao crime nas ruas. A Pasta ressaltou que uma das estratégias adotadas para o aperfeiçoamento dos trabalhos policiais é a nova delimitação das Áreas Integradas de Segurança (AIS) e que a Polícia elucida 23% dos homicídios. Para o estudioso do LEV, o número está longe de ser um índice adequado.

"A sensação de impunidade é um dos fatores, mas não está isolada. O acúmulo do que não é investigado e não é elucidado gera mais mortes. Para quem leva a vida dentro da legalidade, há um medo de ser punido. Para quem vive no mundo do crime, a guerra é permanente e entrar em um presídio pode até ser sinônimo de ascensão", afirma Sá.

Ocorrências

Neste mês, um crime no bairro Ancuri mostrou que as facções criminosas se apoderaram de territórios e impuseram suas leis. No último dia 23, um motorista da Uber foi alvejado com um tiro fatal. Segundo a Polícia Civil, Guilherme Maia, de 22 anos, foi assassinado por trafegar em um veículo com película fumê e vidros fechados, o que assustou os criminosos locais. Três dias depois, a Polícia apreendeu dois adolescentes, de 13 e 16 anos, suspeitos de cometerem o crime contra Guilherme.

Outro homicídio recente também repercutiu entre a população da Capital. No último sábado (29), a orla da Praia de Iracema foi cenário da violência urbana. Francisco Wildson Silva, que não tinha antecedentes criminais, foi executado a tiros, em um trecho conhecido como 'Praia dos Crush'. Conforme a Polícia Militar, o principal suspeito pelo crime é Jefferson Lucas de Sousa Rodrigues, 18, que foi detido minutos após a ação.

A família de Francisco Wildson alega que ele foi morto por engano e não conhecia o suspeito de cometer o crime. "Meu irmão não era envolvido com facção nenhuma. Ele ia do trabalho para casa e, nesse dia, passeava com a namorada no Aterro", afirmou o irmão da vítima, Francisco Wildney Silva de Sousa.

A Polícia Civil suspeita que o criminoso tenha matado Wildson para cumprir regra interna de uma organização criminosa, na qual é preciso assassinar alguém para se tornar integrante.


DN

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