EM DECLARAÇÃO MICHEL TEMER DEFENDE SEMIPRESIDENCIALISMO

A proposta de se implantar no Brasil o semipresidencialismo, um modelo no qual, apesar de haver um primeiro-ministro, o presidente mantém a força política, seria "extremamente útil para o Brasil", declarou, ontem, o presidente Michel Temer, após um almoço no Itamaraty oferecido ao presidente do Paraguai, Horácio Cartes, em visita oficial ao País.


Questionado se preferia o modelo português ou o francês, Temer disse que os dois são muito semelhantes. "O presidente tem uma presença muito grande", comentou. "Não adianta instituir um parlamentarismo em que o presidente é fraco".

O presidente informou que tem dialogado com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e com o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE) sobre o tema.

"Se vai dar certo ou não, não sabemos", disse. "Vamos alongar esses estudos para verificar qual é o melhor momento para sua aplicação, sua eficácia".

Por essa razão, o presidente não arriscou dizer se a mudança poderia ser aplicada já nas próximas eleições. "Não sei", respondeu. "Aí vamos precisar conversar, porque depende de uma mudança constitucional grande".

As discussões estão começando agora, justificou. "Vamos dar um tempinho". Temer comentou que esse é um tema típico da Reforma Política, que está sendo feita pelo Congresso Nacional.

O presidente comentou que "sempre" se encontra com Gilmar Mendes para discutir política. "Aí vocês publicam: 'encontrou-se tarde da noite'. É que o presidente trabalha até meia-noite", disse. Diante do comentário que isso ocorre porque ele "respira política", ele disse: "Respiro política, a melhor delas".

Aécio

A reunião na última sexta-feira entre Temer e o senador Aécio Neves (MG) comprova que o governo tenta fazer uma intervenção branca no PSDB, para transformá-lo em força auxiliar do Palácio do Planalto, afirmou, ontem, em São Paulo, o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES).

"As reuniões do fim de semana só comprovam que, na prática, o governo, de certa forma, tenta fazer uma intervenção branca no PSDB, transformando-o em força auxiliar do governo, no sentindo de que o PSDB haja de acordo com os interesses dele", disse o senador capixaba antes de participar do Fórum Estadão sobre Reforma Política.

Divergências

Ferraço se referia à reunião entre Temer e Aécio no Palácio do Jaburu. O senador tucano e o presidente, porém, divergiram sobre o tema do encontro.

Enquanto Aécio afirmou que conversou sobre "política", Temer disse que tratou sobre a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), que pode ser vendida pelo governo como parte do ajuste fiscal.

A reunião aconteceu um dia após o PSDB veicular programa partidário em cadeia nacional de rádio e TV no qual fez críticas ao governo Temer.

O diretório municipal do PSDB de São Paulo criticou o encontro. Em nota emitida no domingo, o presidente do diretório, o vereador Mário Covas Neto, afirmou que a presença de Aécio em reuniões com o presidente da República causava "desconforto e embaraços".

"Prove sua inocência, senador e aí sim retorne ao partido", escreveu o presidente do diretório tucano. Para Ferraço, houve um "pouco de excesso" na nota de Covas Neto.

"O senador Aécio, no exercício de seu mandato, pode se reunir com quem quer que seja", disse o senador capixaba, que é favorável ao desembarque do PSDB do governo Temer.


DN

Nenhum comentário

SEU COMENTÁRIO É DE SUA TOTAL RESPONSABILIDADE, FICANDO SEU IP. DE REDE SALVO PARA RESGUARDO DE AÇÕES JUDICIAIS.

Tecnologia do Blogger.