APÓS CONQUISTA NA CÂMARA TEMER VOLTA A FALAR EM 'BOTAR O PAÍS NO TRILHOS'

Em pronunciamento após a vitória na votação da Câmara dos Deputados, ontem, o presidente Michel Temer (PMDB) voltou a falar em "botar o País nos trilhos do crescimento, da geração de emprego e modernização".

Ele prometeu levar a cabo a Reforma Tributária, modernizando a burocracia brasileira e apontou a queda no índice de desemprego como fruto de um diálogo entre empregadores e empregados.

O presidente, que se referiu à vitória na votação como uma "conquista do Estado democrático" e não uma conquista pessoal, disse que pretende terminar o mandato tendo feito a maior transformação já vista no País e atribuiu o progresso do seu breve mandato ao "trabalho árduo e diálogo com o Congresso". Ao barrar a denúncia de corrupção, Temer pretende reconquistar o apoio do mercado financeiro, fortalecer sua base de apoio para acelerar reformas e manter o PSDB ao seu lado.

Temer se reunirá na semana que vem com líderes governistas no Congresso para montar um cronograma de votação e discutir que mudanças na Reforma da Previdência são possíveis de ser aprovadas no curto prazo.

A estratégia é enviar até o final deste mês o texto da Reforma Tributária, que tem menos resistência no Congresso, e, na sequência, em setembro, colocar em votação a Previdenciária. A meta é finalizar em outubro.

O peemedebista está estruturando ainda uma agenda de encontros com empresários e investidores para vender a imagem de que ainda tem força política para cumprir a promessa de realizar as reformas. O presidente quer aproveitar o que o Planalto chama de "onda positiva" com a derrota da denúncia da Procuradoria-Geral da República.

O entorno do peemedebista reconhece, no entanto, que o otimismo pode arrefecer com o impacto de uma nova acusação do procurador-geral, Rodrigo Janot, até o fim de agosto por obstrução de Justiça -sem falar na possibilidade de que duas delações em negociação, de Lúcio Funaro e Eduardo Cunha, possam atingir o presidente.

Além de focar num calendário de votações, Temer cobrará fidelidade dos partidos governistas, além de discutir retaliações a deputados infiéis, exonerando indicados deles em cargos de segundo e terceiro escalões.

Com o remanejamento de cargos, o presidente tenta recompor a base aliada, que saiu da crise política menor. Nos encontros da próxima semana, o presidente pretende ainda condicionar a continuidade do PSDB no governo ao apoio dele às Reformas Previdenciária e Tributária.

Maia

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou, ontem, que, após o arquivamento pela Casa da denúncia contra Temer por corrupção passiva, a votação da Reforma da Previdência em plenário terá de ser reorganizada.

Segundo ele, será preciso recompor os partidos da base aliada, para alcançar os 308 votos mínimos necessários para aprovar a matéria.

"Sabemos que vamos ter que reorganizar a votação. Para ter os 308 votos necessários, vamos ter que reorganizar", afirmou Maia em entrevista ainda no plenário, logo após encerrar a sessão. Maia afirmou ainda que será preciso entender melhor o "ambiente" na base aliada para que a Reforma da Previdência possa ser votada.

Em uma tentativa de demonstrar protagonismo sobre o tema, Maia afirmou que trabalhará pessoalmente para tentar recompor a base aliada, principalmente para atrair o PSDB de volta.

Os tucanos deram 22 votos a favor de Temer e 21 contra, além de quatro abstenções. "Vamos trabalhar para que a base volta a ter 330 votos", afirmou o parlamentar fluminense.


DN

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