TEMER TENTA GARANTIR VOTOS NA COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA PARA EVITAR DERROTA

O presidente Michel Temer começa a semana da apresentação do relatório sobre a denúncia por corrupção passiva na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara na expectativa de uma primeira derrota. A falta de ascendência do governo sobre o deputado Sérgio Zveiter (PMDB-RJ), relator do caso na comissão, é tamanha que caciques do partido do presidente, aliados e políticos dão como certo, pelo perfil dele, um parecer pela aceitação da denúncia.


O voto de Zveiter será lido hoje no colegiado. São necessários 34 votos para a aprovação do parecer - o colegiado é formado por 66 deputados.

Com a formação desse cenário, Temer, que antecipou em um dia a volta do G-20, realizado na Alemanha, reuniu, ontem, os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), no Palácio do Jaburu para discutir a crise política. Ele ainda traçou estratégias com líderes governistas durante encontro no Palácio da Alvorada.

Zveiter não antecipa o teor, limitando-se a dizer que seu voto será "sucinto e objetivo".

"Não vou poder agradar a todo mundo, mas não vou fazer nada deliberadamente para desagradar a ninguém", disse Zveiter. Visto como um parlamentar descolado do Planalto, ele reiterou que seu voto será técnico, "totalmente isento" e de acordo com sua "consciência". "Quem vai dar a solução para o problema e para a população é o plenário", disse.

Caça aos votos

Com a perspectiva de derrota na CCJ, a base do governo prepara uma série de mudanças na composição do colegiado para garantir votos contra a admissibilidade da denúncia que acusa Temer de corrupção passiva. O vice-líder da bancada do PMDB, Carlos Marun (MS), será alçado ao posto de titular no lugar de José Fogaça (PMDB-RS). Membro da "tropa de choque" do governo, Marun abriu a temporada de trocas na comissão quando foi posto na suplência no lugar de Valtenir Pereira (MT), que trocou o PMDB pelo PSB.

O PTB também pretende tirar Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), notório opositor do governo, da titularidade da comissão. Faria de Sá vai para suplência no lugar de Giovani Cherini (PR-RS) e para a vaga de titular do PTB será designado Nelson Marquezelli (PTB-SP). Na bancada do PSD, Evandro Roman (PSD-PR) substituirá Expedito Netto (PSD-RO) como titular. O esforço dos partidos da base aliada é garantir que governistas tenham prioridade de voto na apreciação do relatório de Zveiter.

Como a perspectiva é de que o parecer será pela admissibilidade da denúncia, os governistas atuam para reverter o cenário ruim e avisam que podem fazer mais substituições.

Só o Solidariedade fez quatro trocas nos últimos dias. Primeiro saiu Major Olímpio (SD-SP), que votaria contra o governo, e entrou o líder da bancada, Áureo (SD-RJ), na vaga do titular. Olímpio foi para a suplência. Na sequência, Áureo deixou a vaga de titular e indicou Laércio Oliveira (SD-SE), reconhecido governista, para votar como titular. Em uma vaga de suplente cedida pelo PROS, o Solidariedade formalizou a indicação de Wladimir Costa (SD-PA).

Costa ficou conhecido na Casa por ser defensor do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) no Conselho de Ética mas, no dia da votação da cassação no colegiado, mudou de posição diante da pressão da opinião pública.

Decisões do STF

Ontem, a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, rejeitou dois mandados de segurança de deputados do PDT e da Rede que poderiam suspender a tramitação da denúncia contra Temer na CCJ.Um dos pedidos foi protocolado no STF pelos deputados Afonso Antunes da Motta (RS) e André Figueiredo (CE), ambos do PDT. O outro foi impetrado por Alessandro Molon (Rede-RJ).

Apesar da maré desfavorável, o governo continua vendendo um clima de otimismo em relação ao placar, tanto na CCJ, quanto no plenário da Câmara.

Padilha é o responsável pelo mapa de votos na CCJ e no plenário. O ministro tem dito que ainda é cedo para falar em número de votos, mas que há uma "tendência favorável" para Temer.

A despeito da tentativa de passar normalidade, um integrante do governo próximo aos ministros da cúpula diz que o Executivo está tendo dificuldade de fazer agendas positivas. Não só Temer, mas seus principais ministros, também estão "com a corda no pescoço".

"Há um cheiro de guilhotina no ar. Você chega no Palácio e não dá para trabalhar, está todo mundo com a corda no pescoço", disse esse interlocutor.


DN

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