PRESOS DO PCC SE REBELAM E DESTROEM ALA DE PENITENCIÁRIA

A insatisfação dos presos por terem as visitas canceladas, no último domingo (9), e a suposta descoberta de escutas dentro de colchões eclodiram em uma rebelião, na Casa de Privação Provisória de Liberdade Professor Jucá Neto (CPPL III), que teve uma ala destruída. Pelo menos 12 pessoas, entre detentos e agentes de Segurança ficaram feridas. A unidade prisional, localizada no Complexo Penitenciário de Itaitinga II, concentra os membros da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).


Segundo o membro da Comissão de Direito Penitenciário da Ordem de Advogados do Brasil - Seção Ceará (OAB-CE), Alexandre Bastos Sales, a tensão começou durante a manhã do domingo, quando os presos souberam que não receberiam a visita de familiares, que estava programada para acontecer durante o dia.

De acordo com a Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus), a suspensão das visitas se deu "após os agentes penitenciários frustrarem a escavação de um túnel pelos internos". Familiares dos presos contaram à reportagem que várias pessoas chegaram a ir ao Complexo Penitenciário de Itaitinga II e só souberam sobre o cancelamento da visita no local. "Ficam [a Sejus] inventando túnel toda hora para cancelar as visitas", rebateu a esposa de um detento.

Alexandre Sales contou à reportagem que a Comissão da OAB, da qual faz parte, recebeu denúncias de presos sobre escutas que teriam sido encontradas dentro de colchões, entregues pela Sejus a detentos da CPPL III, na semana passada. "Causou estranheza, porque todos os familiares traziam os colchões e, de uma hora para outra, a Sejus disponibilizou 600 colchões".

As imagens dos colchões e dos equipamentos, que supostamente seriam as escutas, foram divulgadas em redes sociais. Sales afirmou que a OAB-CE irá apurar se à Sejus estaria utilizando os dispositivos, o que seria ilegal. "Ao que consta, não há ordem judicial para que seja feito isso. E mesmo que houvesse uma ordem judicial, ela não poderia ser em uma coisa tão íntima, que é um colchão, onde a pessoa dorme. É totalmente ilegal, nos remete à época da Ditadura Militar", completou.

Um agente penitenciário e outra fonte da Sejus, que preferiram não se identificar, confirmaram que os equipamentos foram encontrados na Penitenciária, mas ambos disseram desconhecer de quem teria sido a deliberação para a instalação e se eles funcionariam realmente como algum tipo de escuta ilegal.

Ao ser indagada, a Pasta negou a utilização de escutas em colchões, através da assessoria de comunicação. A juíza corregedora Luciana Teixeira, que também compareceu à CPPL III, disse desconhecer essa prática ilegal. "Acredito que isso não proceda, porque eu conversei com vários presos, cerca de oito, e todos eles, ao serem perguntados pela motivação da rebelião, reclamaram porque cortaram as visitas", revelou a magistrada.

Confusão

A rebelião explodiu durante a madrugada. Os internos colocaram fogo nos colchões e quebraram as celas da unidade prisional. Um militar do BPChoque, que foi acionado para controlar os presos, contou que os detentos provocaram um incêndio em uma entrada do presídio e depredaram o muro para tentar fugir.

Agentes penitenciários e o BPChoque agiram e houve conflito com os detentos. Segundo a Sejus, dois PMs, um bombeiro militar e um agente penitenciário ficaram feridos. Do outro lado, oito detentos foram feridos e foram atendidos na unidade.

De acordo com o representante da OAB-CE, Alexandre Sales, a rebelião destruiu totalmente a Ala B da CPPL III, que havia acabado de ser reformada. "Eles (presos) vão ter que, provavelmente, ficar apertados nas outras três alas. Acredito que não vão deixar do jeito que está. Acho que vai ter transferência".


Após a rebelião ser controlada, representantes da OAB-CE, Defensoria Pública, Ministério Público do Ceará (MPCE), Sindicato dos Agentes e Servidores do Sistema Penitenciário do Ceará (Sindasp-CE) e do Poder Judiciário se reuniram dentro do Complexo Penitenciário para discutir a situação da CPPL III e procurar alternativas para os problemas, que resultaram na rebelião.

Protesto

Cerca de 70 familiares dos presos da CPPL III foram para a frente do Complexo Penitenciário, na manhã de ontem, protestar contra a decisão da Sejus de cancelar as visitas e pela falta de informações sobre a rebelião. "Está um 'chafurdo'' lá dentro. Uma semana tem visita, outra não tem. Domingo (9) não teve visita, quiseram humilhar os presos colocando no sol quente sem roupas, oprimindo. A Cadeia quebrou. A gente está atrás de informação e nada", reclamou a esposa de um detento.

Veículos da Sejus e da Polícia Federal (PF) tentaram entrar no presídio, mas os familiares dos detentos fecharam o portão do Complexo, impedindo a passagem dos automóveis. Agentes penitenciários utilizaram spray de pimenta para dispersar a manifestação e os veículos ingressaram no presídio.


DN

Nenhum comentário

SEU COMENTÁRIO É DE SUA TOTAL RESPONSABILIDADE, FICANDO SEU IP. DE REDE SALVO PARA RESGUARDO DE AÇÕES JUDICIAIS.

Tecnologia do Blogger.