POLÍCIA FEDERAL EXTINGUE GRUPO DA LAVA-JATO NO PARANÁ E RUMO DE OPERAÇÃO É INCERTO

A Lava Jato sofreu ontem um revés que tem provocado dúvidas sobre sua continuidade. A Polícia Federal (PF) do Paraná anunciou o desmembramento da força-tarefa da Operação, o que significa que delegados que cuidavam do caso passarão a atuar também na investigação de outros crimes de corrupção.

A PF extinguiu Grupo de Trabalho da Lava Jato, criado em Curitiba em 2014 para atuar só nas investigações sobre esquema na Petrobras ANDRÉ RICHTER/ABR

“A medida visa priorizar ainda mais os casos de maior potencial de dano ao erário, uma vez que permite o aumento do efetivo especializado no combate à corrupção e lavagem de dinheiro e facilita o intercâmbio de informações”, informa a nota da PF.

Antes da medida, os delegados da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba tinham atuação estendida até, no máximo, as investigações da Operação Carne Fraca. Agora, ficarão responsáveis também pelos demais inquéritos em curso na Delegacia de Combate à Corrupção e Desvio de Verbas Públicas (Delecor).

A decisão provocou reações nos meios político e jurídico. Embora outras equipes da Lava Jato estejam mantidas – como no Ministério Público Federal, por exemplo –, e apesar de as investigações terem sido diluídas por vários estados, incluindo o Ceará, entidades ligadas à PF paranaense apontam possível esvaziamento.

O delegado federal Igor Romário de Paula, coordenador da Lava Jato no Paraná, criticou a redução da equipe na Operação no estado. Segundo ele, o remanejamento dos delegados para os outros locais significa “dificuldades operacionais”, que precisam ser superadas para o trabalho não sofrer prejuízo.

Ele disse que, atualmente, os delegados trabalham em 120 procedimentos. “Temos enfrentado um problema que é objetivo, porque grande parte do nosso efetivo de fora que trabalhava aqui era do Rio de Janeiro, de São Paulo e de Brasília, locais que estão recebendo maior número de procedimentos decorrentes da colaboração da Odebrecht”, afirmou Igor de Paula. “Com o número de temos hoje, é difícil dar continuidade ao trabalho da forma satisfatória. Estamos tentando recompor”, completou.

Em nota, os procuradores da Lava Jato em Curitiba disseram, em nota, que o desmembramento é um “evidente retrocesso” e reclamaram que, durante o governo Michel Temer (PMDB), o efetivo da PF dedicado à Operação sofreu “drástica redução”.

PF nega esvaziamento

Em nota, a Superintendência da PF no Paraná afirmou que não haverá prejuízo no andamento da Lava Jato. “Com a nova sistemática de trabalho, nenhum dos delegados atuantes na Lava Jato terá aumento de carga de trabalho, mas, ao contrário, ela será reduzida em função da incorporação de novas autoridades. O número de policiais dedicados a essas investigações (do Delecor) chega a 70”, informa a nota. A PF afirma, ainda, que, se preciso, fará remanejamentos futuros de pessoal para que a demanda sena atendida. (Hébely Rebouças, com agências)


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