JANOT NEGA TER PRESSA PARA APRESENTAR NOVA DENÚNCIA CONTRA PRESIDENTE DA REPÚBLICA

"Se alguma investigação estiver madura até 15 de setembro (quando encerra o mandato e Raquel Dodge assume), eu ofereço a denúncia", disse o procurador-geral da República, Rodrigo Janot.


Ele negou ter pressa para apresentar uma nova denúncia contra o presidente Michel Temer e disse que vai aceitar "com a maior naturalidade" a possível rejeição pela Câmara da ação já encaminhada.

Janot participou, ontem, de evento promovido pelo Brazil Institute, do Wilson Center, em Washington (EUA).

"Como eu vou aceitar a decisão da Câmara? Com a maior naturalidade possível. Eu fiz o meu trabalho. Cada um faz o seu. Não tenho como insistir nessa denúncia", afirmou Janot, que falou sobre o uso da ferramenta da colaboração premiada no Brasil. A votação da denúncia no plenário da Câmara está prevista para o dia 2 de agosto.

Sem mencionar o nome de Joesley ou da JBS, Janot apresentou a colaboração que livrou os donos da empresa da cadeia como "a grande polêmica que se tem hoje no Brasil", e garantiu que, mesmo depois de toda a polêmica, faria tudo de novo "sem o menor drama de consciência".

"Essas pessoas procuraram agentes do Ministério Público para oferecer a possibilidade de um acordo penal. E envolviam altíssimas autoridades da República. A primeira reação nossa foi dizer 'isso é mentira, não acredito que isso esteja acontecendo, é inacreditável que a prática continue de maneira aberta'", contou o procurador-geral.

"Ninguém se sente feliz concedendo imunidade a criminoso", disse o procurador-geral, destacando que a imunidade foi concedida "a pessoas ricas que moram aqui, em Nova York". O procurador-geral disse que os delatores apresentaram "takezinhos de algumas gravações" com uma diferença em relação às outras colaborações: denunciavam um crime em curso.

Troca-troca

A gravação, apresentada por Joesley Batista, sugeria que o presidente Temer estava agindo para atrapalhar as investigações da Operação-Lava jato. A Câmara decidirá no dia 2 de agosto se o processo segue enquanto Temer for presidente, após a CCJ ter rejeitado no dia 13 o relatório favorável à denúncia apresentada pela PGR.

Além disso, os colaboradores concordaram em participar de ações controladas, ainda sem a garantia do acordo, para conseguir mais provas.

"Eles se grampearam com áudio e vídeo e foram efetuar pagamentos de propina a essas pessoas que cometeram crime".

Já o troca-troca de parlamentares na CCJ, que garantiu a Temer uma vitória contra denúncia, foi visto por Janot como parte do "jogo político".

Com 25 movimentações na CCJ desde junho, sendo 14 mudanças apenas em vagas titulares, o Planalto fulminou a denúncia de Janot na Comissão.


DN

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