CRESCE 20% O NÚMERO DE MULHERES ASSASSINADAS NO CEARÁ

Vítimas da violência urbana ou de relacionamentos conturbados, mulheres têm suas vidas interrompidas pelo crime. A exemplo da morte de Cecília Eluana Lustosa Barbosa, 28, na noite da última segunda-feira (17), em Aquiraz, as ocorrências fatais tendo pessoas do sexo feminino como vítima é uma realidade crescente no Ceará.

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Conforme dados da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), 138 mulheres foram mortas neste ano, até o dia 15 de julho último. Com o número, o Estado registra um aumento de 20% em Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs), em comparação a igual período do ano passado, quando 115 mulheres morreram de forma violenta.
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Um dos casos mais recentes, visto que a estatística aumenta diariamente, foi o de Cecília Barbosa, tida pelos familiares como usuária de drogas. A vítima trafegava de bicicleta pelo bairro Gruta, onde morava, quando percebeu que estava sendo perseguida por suspeitos em um veículo. Segundo populares, a mulher tentou fugir, mas entrou em uma rua sem saída.

Do interior do automóvel, homens ainda não identificados pela Polícia, dispararam contra a mulher, que foi atingida e morreu no local. O filho de 11 anos de Cecília presenciou a cena do crime e procurou ajuda, mas a mãe não foi socorrida a tempo.

Conforme informações repassadas à TV Diário, o irmão da vítima afirmou que Cecília Barbosa já havia sido ameaçada de morte por conta de dívidas com traficantes da região. Em episódio anterior, os familiares chegaram a juntar dinheiro para quitar o pagamento do entorpecente por ela adquirido.

A Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil, e a Perícia Forense do Ceará (Pefoce) compareceram ao local de crime para iniciar as investigações, mas ninguém foi preso, até o ontem.

Últimos meses

O número de homicídios ocorridos neste ano reflete uma preocupação geral: a integridade física da mulher frente à violência diária. Dados da SSPDS mostram que os casos aumentaram ainda mais nos últimos três meses, quando foram contabilizados 29, 27 e 25 assassinatos de mulheres, em abril, maio e junho, respectivamente.

Neste mês de julho, os 14 crimes registrados até o último sábado (15) já indicam a permanência desse cenário de aumento de violência contra a mulher, uma vez que, em igual período de 2016, apenas quatro mortes foram registradas.

De espancamentos a crimes com armas de fogo, os homicídios mostram a crueldade manifestada contra a mulher. Em junho último, por exemplo, Elisete Lima de Souza, 64, que não tinha envolvimento com o tráfico de drogas, foi morta por reagir a uma tentativa de assalto, no bairro Vila Velha, em Fortaleza. A idosa, mãe de um policial militar, sofreu um tiro de arma de fogo na perna e chegou a ser socorrida a uma unidade de saúde, mas não resistiu ao ferimento e morreu.

Feminicídios

Para o professor e pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência (LEV), da Universidade Federal do Ceará (UFC), Leonardo Sá, o aumento no número de assassinatos de mulheres se deve, principalmente, a problemas interpessoais, ou seja, em decorrência de relacionamentos amorosos abusivos, o que se caracteriza como feminicídio.

"Temos que pensar a questão da violência contra as mulheres ligada a uma persistência da dominação masculina. As mortes violentas estão diretamente relacionadas à violência doméstica contra a mulher. A ausência da efetividade da Lei Maria da Penha no cotidiano das mulheres é uma ameaça para que esses números aumentem", explicou.

Maria Duarte de Freitas foi uma das vítimas de feminicídio, no Ceará, neste ano. Ela foi esfaqueada pelo ex-marido, Joaquim Correia da Silva, no dia 3 de março último, no município de Paracuru. O homem não aceitava o término do relacionamento de 20 anos. A vítima morreu oito dias depois das agressões, no hospital.

Conforme Leonardo Sá, os assassinatos de mulheres motivados por envolvimento com o tráfico de drogas, como aconteceu com Cecília Barbosa, ainda é minoria, no Ceará. "Não podemos generalizar e dizer que o aumento das mortes vem acontecendo por isso. Há sim mulheres que assumem o lugar de alguém da família ou dos companheiros no tráfico, principalmente após eles serem presos, mas esses são casos isolados", afirmou.


DN

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