WEBSÉRIE RESGATA HISTÓRIA DE LUIZ GONZAGA E DA SANFONA DE 8 BAIXOS

O mês de junho é tempo bom para os sanfoneiros. O melhor do ano, aliás. É quando mais tem eventos para que eles cutuquem seus instrumentos nos arraiás da vida. O repertório que remete às raízes da festa, contudo, tem estado cada vez mais distante dos shows que ocorrem Nordeste afora. Um movimento de resgate deste repertório fez surgir websérie que o Boticário irá exibir nos estados nordestinos durante o mês de junho. No centro desta narrativa está o mestre Luiz Gonzaga e a já escassa sanfona de oito baixos.

Com cerca de 30 músicos no palco, a Orquestra foi montada para o documentário TARSIO ALVES/DIVULGAÇÃO

Com direção assinada por Giovani Lima, o programa será exibido nas redes sociais da marca de cosméticos nos dias 12, 16 e 20 deste mês, com episódios curtos de cerca de 1,30 min. Protagonizando as cenas, estão histórias de Luiz e a formação da Orquestra Sanfônica de Exu, montada especificamente para o projeto.

A propósito disto, a pequena cidade de Exu, no árido sertão pernambucano, foi onde Gonzaga nasceu e, também, o cenário escolhido pela produção para que as gravações ocorressem, de 17 a 21 de maio. 

Entre as diversas locações da websérie, dois espaços ganham destaque. Um deles é umas das casas onde Gonzaga morou, no Parque Aza Branca (grafado com Z mesmo), uma fazenda comprada por ele no ano de 1974. Este complexo de construções abriga, hoje, o Museu do Gonzagão, que ele construiu ainda em vida e onde está enterrado.

“Luiz Gonzaga viveu nesta casa. Então, tem toda uma energia. E foi um dos maiores representantes da música popular brasileira, especialmente, da música nordestina. Um cara que conseguiu retratar nas obras a fauna, a flora, os amores, a religião, as comidas...”, acredita a atriz, cantora, compositora, instrumentista (e sanfoneira) Lucy Alves.

“Eu comecei escutando Luiz Gonzaga desde a barriga da minha mãe. Meus pais são do sertão da Paraíba, tenho tios sanfoneiros. Meu bisavô tocava fole de oito baixos, como Januário”, lembra. É ela quem conduz a narrativa da série e conta as histórias do homenageado, além de cantar no espetáculo que costura os episódios.

O outro lugar que virou set de filmagens foi a Praça da Matriz, onde foi montado palco e instalada toda a decoração junina para receber o show da Orquestra Sanfônica, no último dia de gravações. Outras figuras dão corpo à série, como o cantor, compositor e instrumentista Targino Gondim, que, além de ser entrevistado no vídeo, coordena a Orquestra Sanfônica de Exu, com cerca de 30 pessoas no palco. O sanfoneiro e amigo de Gonzaga, Luizinho Calixto, também está presente no projeto, além do sobrinho do homenageado, o, também sanfoneiro, Joquinha Gonzaga.

“O primeiro instrumento de Luiz Gonzaga foi uma sanfona de oito baixos, porque herdou do pai, seu Januário. Foi o primeiro instrumento, também, de Dominguinhos, também porque herdou do pai, Chicão. Foi o primeiro instrumento de Sivuca. E, na minha família, eu tenho mais três irmãos, e todos tocamos, herança deixada pelo meu pai”, narra Luizinho. Tocador da sanfona de oito baixos, Luizinho é uma das poucas pessoas que levam pra frente a tradição deste instrumento que é tão difícil. “É um instrumento pobre em harmonia, mais voltado para solo”, define.

A coordenação da orquestra montada para o webdocumentário ficou com Targino. Foram cerca de 30 pessoas (sendo 20 sanfoneiros) de diversos locais do País, como Exu, Fortaleza, Teresina, Serra Talhada, Minas Gerais e outras cidades. E tudo ocorreu de forma muito rápida: em 10 dias foram escolhidos os músicos, que só chegaram a se encontrar poucos antes da gravação.

“Com o repertório de Luiz Gonzaga, todos nós já temos uma certa intimidade, os sanfoneiros. Todos eles têm essa ligação com a obra de Luiz Gonzaga”, explica Targino. Ele coordena projeto com formato semelhante, o Festival Internacional da Sanfona, que ocorre há quatro anos em Juazeiro (BA). “(A época junina é) o auge dos sanfoneiros. É quando todos os sanfoneiros - grandes e pequenos - estão trabalhando. É a hora em que a obra de Luiz Gonzaga está mais viva no Brasil inteiro”.


OPOVO

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