TEMER NÃO RESPONDE A QUESTIONAMENTOS DA POLÍCIA FEDERAL

A defesa do presidente Michel Temer enviou uma petição ao Supremo Tribunal Federal (STF) na sexta-feira (9) criticando as 82 perguntas enviadas pela Polícia Federal nos autos da ação sobre a Operação Patmos. 

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A defesa ainda pede o arquivamento do inquérito que investiga se Temer por suspeita de corrupção passiva, obstrução da Justiça e organização criminosa.

Em 12 páginas dirigidas ao ministro do Supremo Luiz Edson Fachin, relator da Lava-Jato, o advogado do presidente apresenta 48 razões para que Michel Temer não responda às questões da PF. De acordo com a defesa, o presidente foi “coadjuvante de uma comédia bufa, encenada por um empresário e criminoso confesso e agora está sendo objeto de uma inquirição invasiva, arrogante, desprovida de respeito e do mínimo de civilidade”.

“O questionário é um acinte à sua dignidade pessoal e ao cargo que ocupa, além de atentar contra vários dispositivos legais, bem como contra direitos individuais, inseridos no texto constitucional”.

Motivações

O documento da defesa alega ainda que as autoridades estão mais preocupadas em comprometer o presidente do que demonstrar a verdade dos fatos.

“Cumpre inicialmente ponderar que, houvesse Vossa Excelência sido o autor dos questionamentos feitos por escrito ou em colheita de depoimento oral, teria havido, com certeza, uma adequada limitação das perguntas ao objeto das investigações. Indagações de natureza pessoal e opinativa, assim como outras referentes aos relacionamentos entre terceiras pessoas ou aquelas que partem de hipóteses ou de suposições e dizem respeito a eventos futuros e incertos não teriam sido formuladas. No entanto, foram feitas e demonstram que a autoridade mais do que preocupada em esclarecer a verdade dos fatos desejou comprometer o Sr. Presidente da República com questionamentos por si só denotadores da falta de isenção e de imparcialidade por parte dos investigadores”, diz um dos trechos.

A defesa alega que mesmo sem aguardar a perícia do áudio entre Temer e Joesley Batista, o ministro determinou a formulação das questões pela PF para serem respondidas pelo presidente no prazo de 24 horas. 

“Desde já, e antecipando alguma das razões que trazem dificuldade para o Sr. Presidente da República responder às perguntas da autoridade policial, deve ser salientado, como se fez acima, que diversos questionamentos dizem respeito a fatos estranhos às funções presidenciais; outros referem-se a períodos não cobertos pelo seu mandado; alguns ao relacionamento entre terceiras pessoas. Note-se, que muitos deles partem da premissa do cometimento induvidoso de delitos e não objetivam perquirir a verdade, mas sim revelar meras circunstâncias de crimes que já estariam provados”.

Batalha Naval

No momento em que o ministro Herman Benjamim lia o seu voto no Tribunal Superior Eleitoral, pedindo cassação da chapa Dilma-Temer, Temer participava de mais uma cerimônia. Era a comemoração do aniversário da Batalha Naval do Riachuelo, no Grupamento de Fuzileiros Navais em Brasília. 

Com isso, Temer busca demonstrar que segue governando e cumprindo suas agendas, apesar dos problemas políticos enfrentados. Na solenidade, Temer ouviu “toque da Vitória”, saiu sem falar com a imprensa, deixando para o ministro da Defesa, Raul Jungmann, falar em nome do governo. Ao ser questionado se acreditava que o peemedebista chegaria ao final do seu mandato, o ministro respondeu que, “constitucionalmente ele tem esse direito”.

Na cerimônia, no entanto, o destaque foi para o discurso do comandante da Marinha, almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira, que fez paralelos entre “a fúria do mar” enfrentado à época para vencer a batalha Naval do Riachuelo e os dias de hoje. Ele começou a leitura da ordem do dia exaltando a “data magna” da Força, lembrando a fala do almirante Barroso - “sustentar o fogo que a vitória é nossa”.

DN

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