OPERAÇÃO APURA USO INDEVIDO DE INFORMAÇÕES PELA JBS

A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã da sexta-feira (9) a Operação Tendão de Aquiles para apurar se houve uso indevido de informações privilegiadas por parte das empresas JBS Participações e FB Participações em transações de mercado financeiro ocorridas entre abril e maio deste ano. 


A ação é coordenada em conjunto com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O grupo J&F é o controlador das duas empresas. A PF cumpre três mandados de busca e apreensão nas empresas do grupo JBS e quatro mandados de condução coercitiva, expedidos pela 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, a pedido da Polícia Federal. 

O inquérito policial foi instaurado em 19 de maio, após a PF ter conhecimento do Comunicado ao Mercado nº 02/2017 da CVM, que tornou pública a instauração de cinco processos administrativos para apuração.

A investigação da Operação Tendão de Aquiles apura dois eventos: a venda de ações de emissão da JBS S/A na bolsa de valores, por sua controladora, a empresa FB Participações S/A, no final do mês de abril; e a compra de contratos futuros de dólar na bolsa de futuros e a termo de dólar no mercado de balcão, entre o final de abril e meados de maio de 2017. 

Já no segundo evento, segundo a PF, há indícios de que essas operações ocorreram com o uso de informações privilegiadas, “gerando vantagens indevidas no mercado de capitais num contexto em quase todos os investidores tiveram prejuízos financeiros”, informa a nota da PF.

Os investigados poderão ser responsabilizados pelo crime previsto no Artigo 27-D da Lei 6.385/76, que acarreta penas de um a cinco anos de reclusão e multa de até três vezes o valor da vantagem ilícita obtida. Em nota, a JBS afirmou que entregou todos os materiais e documentos solicitados.

“A companhia segue colaborando e está à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos necessários”, informou o grupo.

Sobre à compra e venda de moedas, ações e títulos, a JBS afirmou que todas as operações seguem a regulamentação do setor. “As operações de compra e venda de moedas, ações e títulos realizadas pela J&F, suas subsidiárias e seus controladores seguem as leis que regulamentam tais transações”.

Em relação às operações de câmbio, a JBS diz que gerencia de forma minuciosa e diária a sua exposição cambial e de commodities. “A empresa tem como política a utilização de instrumentos de proteção financeira visando, exclusivamente, minimizar os seus riscos cambiais”, completou.

Retaliação

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, afirmou que o Estado brasileiro é “rancoroso e vingativo” e que, em sua opinião, o frigorífico JBS tende a sofrer retaliação após um dos seus sócios, Joesley Batista, denunciar o presidente Michel Temer de participar de esquema de corrupção.

“Ninguém tem dúvida de que a JBS vai virar terra arrasada. Já está lá a Polícia Federal, a Receita Federal, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários). De repente, todo mundo descobriu a JBS. É um Estado rancoroso e vingativo. Portanto, a gente tem que diminuir esse Estado, já que não pode se livrar dele”, afirmou, em seminário no Rio.

DN

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