MARCO AURÉLIO RELATARÁ INQUÉRITO CONTRA AÉCIO

O ministro Marco Aurélio Mello será o novo relator do inquérito que investiga o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) no Supremo Tribunal Federal (STF) com base na delação dos empresários do Grupo J&F, da empresa JBS.


O inquérito foi redistribuído por sorteio eletrônico após o ministro Edson Fachin entender que a investigação não tem relação com a Operação Lava-Jato, da qual é relator no Supremo.

Ao comentar que seria o novo relator do inquérito de Aécio, Marco Aurélio afirmou, em tom de brincadeira, que o computador que faz a redistribuição eletrônica não gosta dele e que deve levar os agravos para serem discutidos em plenário.

"Parece que o computador que opera a distribuição não gosta de mim", disse. Uma das questões que o ministro deve levar ao plenário é o pedido da Procuradoria-Geral da República para que seja revista a decisão de não prender o parlamentar tucano.

O pedido de prisão foi negado por Edson Fachin, que, no entanto, decidiu afastar Aécio do mandato de senador.

Entre as acusações que pesam sobre Aécio, está a gravação na qual o tucano pede R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS.

Em uma conversa, o tucano aparece pedindo o dinheiro ao empresário sob a justificativa de que precisava pagar despesas com sua defesa na Lava-Jato.

A irmã de Aécio, Andrea Neves, teria feito o primeiro contato com o empresário. O tucano indicou seu primo Frederico Pacheco de Medeiros para receber o dinheiro. O dinheiro foi entregue pelo diretor de Relações Institucionais da JBS, Ricardo Saud, um dos sete delatores. Ao todo, foram quatro entregas de R$ 500 mil cada uma.

Andrea e Frederico foram presos pela Operação Patmos, deflagrada em 18 de maio. Os dois também serão investigados no mesmo inquérito.

Fotos

A defesa do senador tucano enviou ao Supremo Tribunal Federal quatro fotos com a data de 2006 com o intuito de eliminar suspeitas de que, em um diálogo interceptado em 29 de abril entre Aécio e uma pessoa identificada como "Moreno", as menções a motos e motoqueiros sejam formas cifradas de se referir a delatores. Não passariam de referências a um hobby do tucano, segundo a defesa.

Para a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF), Aécio usou as expressões "motoqueiros malucos" em alusão a "delatores" e "passeio de moto" em referência a delações. E, quando Aécio fala em "guia", estaria se referindo a Sergio Andrade, dono da Andrade Gutierrez.

Inicialmente, os investigadores pensavam que o "Moreno" que conversa com Aécio Neves é o empresário Alexandre Accioly, citado em delações da Odebrecht como intermediário de vantagens indevidas pagas ao político mineira.

DN

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