INQUÉRITO DE ATROPELAMENTO SERÁ ENVIADO AMANHÃ À JUSTIÇA

Já se passaram dois meses desde o atropelamento, que resultou na morte do entregador Auricélio Lima Vieira, 55, e o caso permanece sem solução. O principal suspeito de cometer o crime, Victor de Carvalho Alves, 30, continua em liberdade e o inquérito que apura o caso ainda não foi enviado à Justiça. O delegado José Munguba Neto, titular do 4ºDP (Pio XII), afirmou que "já possui dados suficientes sobre o fato" e concluirá o inquérito até amanhã (9).


Foto: Auricélio Lima Vieira, 55, era entregador de tapiocas e estava trabalhando quando foi atropelado

O presidente do inquérito afirma que Victor Carvalho será indiciado pelo acidente. "Fatalmente, ele será indiciado. De qualquer maneira ele matou alguém. Querendo ou não, ele matou". Entretanto, Munguba ressaltou que não pode dizer, ainda, se Victor responderá pelo artigo 302 do Código de Trânsito Brasileiro (homicídio culposo na direção de veículo automotor) ou pelo artigo 121 do Código Penal Brasileiro (homicídio). No primeiro, a pena é de dois a quatro anos de reclusão, enquanto no segundo é de seis a vinte anos.


No dia 11 de abril, quatro dias após o atropelamento, o suspeito conhecido como 'Victor Motoca', se apresentou na Delegacia e registrou um Boletim de Ocorrência (B.O.) relatando que teria sido vítima de uma tentativa de assalto. Ele afirmou, em depoimento, que estaria fugindo de uma dupla de travestis quando colheu o entregador de tapiocas, que estava trabalhando. Câmeras residenciais filmaram toda a ação, que resultou na morte de Auricélio Vieira.

As filmagens mostram quando o Hyundai Azera, conduzido pelo suspeito, segue em alta velocidade na contramão da Rua Antônio Augusto, no bairro Joaquim Távora. Após a colisão, o motorista vai embora sem prestar socorro à vitima. O automóvel avariado pela colisão é abandonado momentos depois, nas proximidades do local onde o motociclista foi atropelado.

O delegado acrescenta que as duas travestis envolvidas no desentendimento com 'Victor Motoca' não foram ouvidas. De acordo com José Munguba, no mesmo dia do acidente, uma delas deixou o local onde morava sem contactar a proprietária da residência e ainda não foi encontrada; a segunda "sequer foi localizada pelas autoridades", segundo o delegado. Entretanto, duas pessoas próximas à primeira travesti foram ouvidas e deram detalhes que ajudaram a Polícia.

O presidente do inquérito afirmou que os dois meses para a conclusão do inquérito foram necessários para a reunião completa dos elementos probatórios. "Foi um inquérito que requereu perícias, um laudo cadavérico e demais provas", afirmou.


Foto: Victor de Carvalho Alves responderá pelo artigo 302 do Código de Trânsito Brasileiro

Penalização

A promotora Thelma Regina Braga, da Promotoria Única de Delitos de Trânsito de Fortaleza, afirma que "cada fato tem seus detalhes, circunstâncias e nuances próprias que necessariamente devem ser analisados". A representante do Ministério Público do Estado (MPCE) explica que "o que diferencia homicídio culposo do doloso é a intenção, a vontade do agente de produzir o resultado" e que "na grande maioria dos casos, de homicídios causados no trânsito, não é identificado dolo direto ou eventual por parte do réu".

Entretanto, analisando a ação do suspeito, especificamente, a promotora entende que os indícios são suficientes para que o homicídio seja considerado doloso. "Ele tinha intenção de atingir as travestis e acabou atingindo o motociclista. Estava na contramão, provavelmente embriagado, evadiu-se e não prestou socorro à vítima. Todas as características de dolo".

Thelma Regina pontua que mesmo errando o alvo e atingindo outra pessoa, o suspeito estava dirigindo perigosamente. "Naquelas condições do vídeo, certamente causaria uma tragédia, como causou", concluiu.

O filho da vítima, Célio Neto, afirma que aguarda a conclusão do inquérito e acredita que "está claro o que aconteceu". Segundo ele, a família passa por mementos delicados de desgaste psicológico. "O sentimento, enquanto aguardamos o desenrolar dos fatos, é de impunidade". O advogado de Victor Carvalho não foi localizado pelo jornal.


DN

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