'CAIXA 1' TERIA SIDO USADO EM COMPRA DE TERRENO

O delator Hilberto Silva afirmou ao juiz Sérgio Moro, ontem, que a Odebrecht comprou um terreno para o Instituto Lula com recursos do caixa oficial da empresa.

De acordo com Hilberto, apesar do dinheiro ter saído da tesouraria da empreiteira, o valor de R$ 12,4 milhões teria sido debitado da planilha especial Itália, cuja contabilidade era controlada pelo setor de Operações Estruturadas, o chamado departamento de propina.

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Hilberto disse que Marcelo Odebrecht determinou que fosse feito o débito na conta amigo no crédito de R$ 200 milhões que a empresa acordou com o PT. Confrontado pela defesa do petista sobre a razão do pagamento em Caixa 1 ser registrado como propina, o ex-executivo afirmou que Marcelo não tinha como debitar o valor no balanço oficial da empresa.

"Os recursos não saíram desse caixa meu. Os recursos saíram do Caixa 1 da empresa, comprando um terreno. Mas como não tinha como debitar ao interessado, foi debitado aqui. Ou melhor, foi reduzido o valor do crédito que eles tinham. Marcelo mandou comprar o terreno e como não tinha como debitar e ele não ia ficar com esse custo, ele debitou nessa planilha. Você não compra um terreno com recursos em espécie", disse.

Nas delações da empreiteira, ex-executivos confirmaram ao Ministério Público que a empresa fazia pagamentos de propina por meio de doações oficiais.

Além de Hilberto, também foram ouvidos ex-executivos Márcio Faria e Rogério Araujo como testemunhas de acusação contra o ex-presidente Lula, na sede da Justiça Federal de Curitiba. Ele também foram arrolados pela defesa de Marcelo Odebrecht, que também é réu na ação.

Lula é acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de receber como propina da Odebrecht um terreno onde seria construída a nova sede do Instituto Lula e um imóvel vizinho ao apartamento do petista, em São Bernardo do Campo.

De acordo com a força-tarefa da Lava-Jato, esses imóveis foram comprados pela Odebrecht em troca de contratos adquiridos pela empreiteira na Petrobras. Lula nega as acusações.

Lula responde pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Além de Lula e Marcelo, outras seis pessoas também são rés, como, por exemplo, o ex-ministro Antonio Palocci. A ex-primeira dama Marisa Letícia chegou a ser acusada, contudo, Moro decretou a impossibilidade de puni-la. Marisa morreu em fevereiro de 2017.

Fachin

O ministro Edson Fachin, relator dos processos da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal, marcou para 7 e 28 julho respectivamente os depoimentos do ex-presidentes Lula e Dilma na ação penal em que são réus a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e o ex-ministro Paulo Bernado (PT-PR). Eles foram arrolados como testemunhas de defesa.

Lula vai depor na Justiça Federal de São Paulo e Dilma na Justiça Federal do Rio Grande do Sul. Ambos serão ouvidos por meio de videoconferência.

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