SUSPEITO DE ASSASSINAR TRAVESTI EM JUAZEIRO DO NORTE CONFESSA CRIME E É LIBERADO APÓS DEPOIMENTO

O homem suspeito de assassinar a travesti Ketlin, na madrugada do último domingo, dia 14, se apresentou à Delegacia Regional de Polícia Civil deste Município na manhã de hoje. Em depoimento, o servente de pedreiro Cícero Frazão Ribeiro, de 21 anos, confessou o crime e justificou afirmando que agiu em legítima defesa. Ainda segundo o suspeito, a travesti teria tentado agredi-lo com uma faca. “Ela pegou a faca e disse que ia me matar. Eu tomei a faca e me defendi”, disse. Cícero confessou ainda que estava sob efeito do álcool e drogas. “Usei cocaína e estava bebendo”, acrescentou, sem esboçar arrependimento.

Cícero Frazão confessou ter assassinado, com 15 facadas, a travesti Ketlin

No entanto, para o delegado da divisão de homicídio de Juazeiro do Norte, Giovane Aquino, a hipótese de legitima defesa está descartada. “Era o Cícero quem estava portando a faca. E quem quer se defender, não golpeia por 15 vezes outra pessoa. Não foi legitima defesa, ele está apenas com um arranhão no braço”, pontuou.
O sargento Geová Souza foi o responsável pela condução de Cícero Frazão da sua residência, localizada no bairro Triângulo, até a Delegacia. Segundo o PM, o suspeito já conhecia a vítima e tinha o costume de frequentar o local em que ocorreu o homicídio, apontado como ponto de prostituição. “Ele nos confessou que já tinha bebido outras vezes com a travesti. Na noite do crime, Cícero disse que estava bebendo e quando passou pelo local, atrás da rodoviária, encontrou Ketlin. Eles teriam discutido e depois Cícero a matou”, explicou.
Após prestar depoimento, o servente de pedreiro foi conduzido para exame de corpo de delito na Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) e, em seguida, liberado. “Não há flagrante, nem mandado de prisão, por isso a liberação do suspeito”, justificou o Delegado, ao acrescentar que o mandado pode ser expedido a qualquer momento. 
A travesti Ketlin, de 31 anos, com nome de registro Francisco Carlos de Miranda, foi morta com 15 golpes de faca na madrugada do último domingo, atrás da rodoviária de Juazeiro do Norte. A vítima morreu no local, antes mesmo da chegada do resgate médico.
Nos primeiros meses deste ano, três assassinatos de travesti tiveram ampla repercussão diante da crueldade dos crimes . Em fevereiro, Dandara dos Santos foi brutalmente assassinada a golpes de pedra e pauladas. O crime foi filmado e divulgado nas redes sociais. Hérica Izidória foi outra vítima de homofobia em Fortaleza. A travesti foi espancada e jogada de um viaduto. Priscila foi outra assassinada na capital cearense no primeiro trimestre de 2017. Após os crimes, foi assinado decreto determinando o atendimento de travestis e transexuais nas Delegacias da Mulher de todo o Estado.

POR BRAGUINHA VIA DIÁRIO DO CARIRI

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