DEFESA PEDE SUSPENSÃO DO PROCESSO CONTRA LULA

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu por meio de habeas corpus a imediata (concessão de liminar) suspensão do processo criminal em que ele é réu por corrupção e lavagem de dinheiro no caso tríplex - imóvel situado no Guarujá, litoral de São Paulo, que a Lava-Jato diz pertencer a Lula, o que sempre foi negado por ele. A defesa alega que não dispõe de tempo suficiente para analisar o conteúdo de uma "supermídia" com 5,42 gigabytes com documentos que a Petrobras anexou aos autos - estima-se que o arquivo tenha 100 mil páginas.


O ex-presidente vai ser interrogado amanhã pelo juiz federal Sergio Moro. Na ação, ele é acusado de ter recebido R$ 3,7 milhões em propinas da OAS que, em troca, teria fechado três contratos com a Petrobras, supostamente por ingerência de Lula.

O habeas que pede a imediata suspensão do processo criminal foi protocolado, segundo a defesa, no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), que tem jurisdição e competência para confirmar ou barrar medidas de Moro. Se a Corte federal acolher a liminar, o interrogatório de Lula terá de ser adiado.

Já a Justiça do Paraná proibiu circulação e acampamentos no entorno da sede da Justiça Federal em Curitiba. A prefeitura de Curitiba ajuizou uma ação na 5ª Vara da Fazenda Pública contra o "Movimento dos Sem Terra (MST), demais movimentos e indivíduos" que possam acampar em praças e vias públicas da capital paranaense. O pedido liminar foi deferido contra "a passagem de pedestres e veículos" em área delimitada, com multa prevista de até R$ 100 mil.

Pedestres e veículos também estão proibidos de circular em áreas próximas ao fórum da Justiça Federal, desde ontem, até a noite de quarta-feira.

A Defensoria Pública do Paraná pediu liminar ao Tribunal de Justiça do Estado para suspender a decisão da juíza Diele Denardin Zydek.

A Polícia Militar do Paraná começou, na manhã de ontem, o cadastramento de moradores e pessoas que trabalham em um raio de menos de 150 metros do prédio da Justiça Federal. A região terá acesso restrito e o cadastro será necessário para que as pessoas possam circular.

Integrantes da bancada do PT da Câmara e do Senado se organizam para desembarcarem amanhã, em Curitiba. A expectativa de integrantes do PT é de comparecerem ao menos 10 mil militantes.

Gravação

O juiz Sergio Moro proibiu a defesa de Lula de gravar em áudio e vídeo o interrogatório.

"Não se ignora que o acusado Luiz Inácio Lula da Silva e sua defesa pretendem transformar um ato normal do processo penal, o interrogatório, oportunidade que o acusado tem para se defender, em um evento político-partidário", diz Moro na decisão que frustra a estratégia petista.

O empresário Ricardo Pessoa, da UTC, réu e delator da Lava-Jato, disse ontem, em depoimento a Moro, que sua empreiteira e outras do cartel instalado na Petrobras entre 2004 e 2014 pagavam propinas "porque eram instados a colaborar".

"Porque se pagava isso é porque nós éramos cobrados", afirmou o empresário da UTC, que citou Paulo Roberto Costa, José Janene, Alberto Youssef, Pedro Barusco, Renato Duque e João Vaccari Neto.

Encruzilhada

Na noite de ontem, durante o evento "Pacto Pelo Brasil", Moro afirmou que a Lava-Jato corre riscos. "O Brasil está numa encruzilhada", afirmou Moro. "Tem dois caminhos a seguir. Voltar atrás, como se nada tivesse acontecido ou seguir em frente. Daí precisa realmente de apoio da cidadania civilizada".

DN

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