CHUVA INUNDA HOSPITAL NA ZONA DA MATA DE PERNAMBUCO, ESTADO TEM 30 MIL DESALOJADOS

Ruas, casas e até o hospital de Rio Formoso, na Zona da Mata Sul de Pernambuco, ficaram alagados após os 287 milímetros de chuva que castigaram o município, entre o sábado (27) e o domingo (28). Vídeos enviados ao WhatsApp da TV Globo mostram que pacientes e funcionários tiveram que transitar em meio à água barrenta que tomou conta das ruas. Na unidade hospitalar inundada, também funciona a maternidade da cidade, uma das mais castigadas pelas fortes chuvas do último fim de semana de maio, que deixaram 30 mil desabrigados e desalojados, dois mortos e 15 municípios em estado de calamidade em Pernambuco.

Caruaru é um dos 15 municípios pernambucanos em estado de calamidade (Foto: Reprodução/TV Globo)

Segundo o secretário executivo da Defesa Civil de Pernambuco, tenente-coronel Fábio Rosendo, um hospital de campanha vai ser montado no município, em parceria com o Exército, para atender os pacientes e eventuais emergências. "Ainda nesta segunda-feira (29) será providenciada a montagem do hospital. A Defesa Civil municipal se encarregou de fazer a transferência dos pacientes que estavam no local, no momento da enchente", disse.

Os pacientes que estavam internados no hospital tiveram que ser transferidos para outras cidades. No começo da tarde de domingo, já não era possível entrar na unidade. Segundo moradores, a água começou a subir ainda na madrugada. O bairro da Rua da Lama, por exemplo, foi um dos mais afetados pela enchente. Quem morava em casas mais baixas quase não teve tempo de salvar o que tinha. A orientação da Defesa Civil é para que os moradores deixem as residências no primeiro sinal de risco, principalmente os que moram em áreas próximas a barreiras e margens de rios.

"O problema começou por volta das 1h40, quando a água começou a subir. Daí pra frente, ninguém dormiu mais. Pensávamos que passaria rápido, mas piorou de repente. Os moradores aqui perderam tudo mesmo. E nós estamos aqui, esperando a água baixar para ver o real prejuízo", disse", disse Valdir José da Silva, um dos moradores que tiveram as casas invadidas pela água da chuva.

Calamidade

Em reunião com o governador Paulo Câmara (PSB), no Palácio do Campo das Princesas, o presidente da República, Michel Temer, autorizou, também no domingo (28), o envio de ajuda humanitária para atender as cidades pernambucanas em estado de calamidade devido às fortes chuvas que caíram nos últimos dias, na Zona da Mata Sul e no Agreste do estado. E se comprometeu com a liberação de uma linha de crédito de R$ 600 milhões, junto ao BNDES, para obras no estado.



O último fim de semana de maio foi de chuvas intensas em municípios da Zona da Mata Sul e do Agreste de Pernambuco, causando vários estragos. Duas pessoas seguem desaparecidas em Caruaru. A Prefeitura de Barra de Guabiraba registrou cerca de 4 mil desabrigados. Em Cortês, o deslizamento de encostas deixou mais de 40 famílias desalojadas. Em Palmares, a Defesa Civil emitiu alerta sobre o nível do Rio Una. Em Barreiros, a Defesa Civil retirou moradores de oito bairros às margens do Rio Una.

De acordo com o governo, Ribeirão está totalmente isolado. Nos 15 municípios atingidos pelas chuvas, somando população total de 787.245 mil habitantes. Segundo o governador, há 16 sistemas de abastamento de água paralisados, atingindo 2,2 milhões de pernambucanos.

Após as chuvas no Agreste, a barragem do Prata chegou a 30% da capacidade total nesta segunda-feira (29), segundo a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa). Antes das chuvas, o reservatório localizado em Bonito estava com 12,73% do volume, o que é considerado uma situação de colapso. Com o aumento, o reservatório que abastece Caruaru, Agrestina, Santa Cruz do Capibaribe, Ibirajuba, Altinho e Cachoeirinha irá garantir o uso da água até agosto deste ano.

Alagoas

Antes de chegar a Pernambuco, o presidente Michel Temer foi a Alagoas, que também tem cidades sofrendo com prejuízos causados por fortes chuvas que caíram na última semana. Quatro pessoas morreram e outras cinco estão desaparecidas. Em Maceió, Temer falou da urgência em recuperar danos, mas não falou em valores. "Valores não tenho ainda, preciso verificar quais os danos e o que é que é preciso fazer, mas logo nós teremos resposta para isso", disse o presidente.

G1

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