TRUMP ATACA SÍRIA E MUNDO REAGE A AÇÃO MILITAR

França, Alemanha, Inglaterra, Reino Unido, Turquia e Arábia Saudita, entre outros países, saíram em apoio ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após o ataque norte-americano contra uma base aérea na Síria, ocorrido na noite desta quinta-feira (6). Os EUA bombardearam a base com 59 mísseis Tomahawk. O balanço de mortos deste ataque ainda está indefinido, mas as agências internacionais apontam entre quatro e nove mortos.


A investida americana foi uma resposta ao ataque químico que matou mais de 80 pessoas no início da semana.


O governador de Homs, cidade atingida pelos mísseis, condenou e afirmou que a ação serve aos objetivos de grupos terroristas, como o Estado Islâmico. O Irã também se manifestou contra o bombardeio, que chamou de "ataque unilateral".

Trump responsabilizou o presidente sírio, Bashar al-Assad, pelo ataque com armas químicas e pediu o apoio de países aliados.

"Pedi a todas as nações civilizadas que se unissem a nós, buscando acabar com o massacre e o derramamento de sangue na Síria. Anos de tentativas anteriores de mudar o comportamento de Assad falharam, e falharam muito dramaticamente", afirmou Trump.

Em comunicado divulgado pelo Kremlin, o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que a ação americana é uma "agressão contra um Estado soberano", baseado em "pretextos inventados".


"[É uma] tentativa por parte dos EUA de desviar a atenção da comunidade internacional das muitas vítimas entre a população civil no Iraque", disse Putin.

A primeira reação da Rússia sobre o ataque, entretanto, veio do chefe do Comitê de Defesa do Parlamento russo, que disse que o país irá convocar uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU após o ataque e que a ação pode enfraquecer o combate ao terrorismo na Síria, segundo a Reuters, que cita a agência russa RIA.

Confira abaixo a reação dos países:

Arábia Saudita

A Arábia Saudita apoiou a operação militar americana na Síria. “O regime sírio é responsável por esses ataques militares”, informa comunicado oficial do ministério de Relações Exteriores. O governo saudita qualificou como “valente” a decisão de Trump, diante da “abstenção” da comunidade internacional em impor limites ao governo de Bashar al-Assad.

Estados Unidos


Vários legisladores republicanos e democratas apoiaram a decisão do presidente Donald Trump, mas pediram ao presidente que esclareça sua estratégia militar.


Este ataque "foi apropriado e justo", declarou o presidente da Câmara de Representantes, o republicano Paul Ryan.


"Estes ataques aéreos táticos demonstram que o regime de Assad não pode contar com nossa falta de ação quando comete atrocidades contra o povo sírio".


O senador republicano Marco Rubio enviou nota depois do ataque em que parabeniza os soldados norte-americanos. "Eu saúdo a bravura e a habilidade do homem e das mulheres que conduziram essa missão", afirmou. "Com o ataque de hoje contra o regime de Assad e à base aérea de Shayrat ssperamos diminuir sua capacidade de cometer atrocidades contra civis inocentes".

O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, e sua colega na Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, também demonstraram apoio.


"É preciso certificar que (o presidente sírio Bashar) Assad saiba que quando comete tais atrocidades desprezíveis vai pagar um preço", disse Schumer em um comunicado.


O senador republicano Rand Paul questionou o ataque sem a autorização do Congresso. "Apesar de condenarmos as atrocidades na Síria, os Estados Unidos não foram atacados. O presidente deve obter autorização do Congresso para realizar qualquer ação militar, como determina a Constituição".


França e Alemanha


O presidente sírio Bashar al-Assad tem “a plena responsabilidade” do ataque dos Estados Unidos contra uma base aérea síria, afirmaram nesta sexta-feira (7) o presidente da França e a chanceler da Alemanha, em um comunicado conjunto. “Uma base militar do regime sírio utilizada para realizar bombardeios químicos foi destruída esta noite por bombardeios americanos (...) Assad tem a plena responsabilidade”, afirmaram François Hollande e Angela Merkel.


Irã


O Irã condenou o ataque norte-americano na Síria, segundo informa a agência de notícias Isna. “O Irã condena veementemente quaisquer ataques unilaterais”, disse Bahram Qasemi, porta-voz do Ministério do Interior. O país também acusou os EUA de usar "falsas alegações" para atacar a Síria.


Israel


O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o estado israelense apoia o ataque, segundo o biógrafo do líder, Anshel Pfeffer, no Twitter. "Muito rara 6 AM (hora de Jerusalém) declaração de Netanyahu apenas agora: 'Israel apoia plenamente a decisão do Presidente Trump'."


Jordânia


A Jordânia disse que o bombardeio norte-americano à base síria foi "necessário" e que é uma "resposta apropriada" ao ataque químico que matou mais de 80 pessoas no início da semana.


Reino Unido


O governo britânico expressou apoio ao ataque lançado pelos Estados Unidos contra a base aérea de Shayrat, na cidade de Homs, na Síria, em resposta ao uso de armas químicas por parte do regime de Bashar al Assad.


Um porta-voz da primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, disse que a ação militar é "a resposta apropriada" à agressão "selvagem" realizada pelo Exército sírio contra civis com armas químicas.


A fonte disse que confia em que o bombardeio ordenado pelo presidente americano, Donald Trump, servirá para "impedir outros ataques" de Damasco no futuro.


Síria


Talal Barazi, governador de Homs, cidade no oeste da Síria, próxima à base atacada, afirmou que o ataque dos EUA serve aos objetivos de “grupos terroristas armados e do Estado Islâmico”, segundo a agência Reuters.



"Este ataque não nos impedirá de continuar a lutar contra o terrorismo. Não estamos surpresos ao ver a América e Israel apoiar este terrorismo", disse Talal Barazi, governador de Homs.




Um porta-voz da oposição síria saudou o ataque dos EUA e pediu para que o bombardeio continue para "neutralizar a capacidade" do regime de Bashar al Assad.


"A coalizão de oposição saúda o ataque e pede a Washington que neutralize a capacidade de Assad para realizar ataques", disse Ahmad Ramadan à agência AFP. "Esperamos continuar o bombardeio", acrescentou.


Jamil al-Saleh, um comandante rebelde apoiado pelos EUA, disse que esperava o ataque dos EUA em uma base aérea do governo e que este seria um "ponto de virada" na guerra que já dura seis anos, segundo o jornal britânico The Guardian.


Turquia


A Turquia defendeu nesta sexta-feira a saída imediata do presidente da Síria, Bashar al-Assad, e expressou apoio ao ataque de mísseis dos Estados Unidos contra uma base aérea síria.


O país defendeu que a criação de zonas seguras para proteger os civis é mais importante agora do que nunca.


O presidente da Turquia Tayyip Erdogan disse que o bombardeio dos EUA contra uma base aérea da Síria foi uma resposta positiva ao ataque químico que deixou mais de 80 mortos. No entanto, Erdogan disse que esta resposta não era suficiente por si só e que "medidas sérias" eram necessárias para proteger o povo sírio.



"Achamos que é um passo positivo e concreto contra os crimes de guerra do regime de Assad. E isso é o suficiente? Não acho suficiente. É hora de adotar medidas sérias para proteger sírios inocentes", disse Erdogan.




"A comunidade internacional tem a capacidade de deter o regime e as organizações terroristas. Espero que a postura ativa dos Estados Unidos seja um começo para atingir estes objetivos", disse Erdogan.


A Turquia, país-membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e parte da coalizão contra o Estado Islâmico liderada pelos EUA, vem argumentando há tempos que não pode haver paz na Síria com Assad no poder.


"É necessário retirar este regime o mais cedo possível da liderança da Síria. Se ele não quiser sair, se não houver governo de transição, e se ele continuar a cometer crimes humanitários, as medidas necessárias para retirá-lo deveriam ser tomadas", disse o ministro das Relações Exteriores turco, Mevlut Cavusoglu.


União Europeia


Os bombardeios americanos na Síria "ilustram uma determinação necessária contra os bárbaros ataques químicos", afirmou nesta sexta-feira (7) o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.


"A UE trabalhará com os Estados Unidos para colocar fim à brutalidade na Síria", acrescentou Tusk, que preside a instância que reúne os 28 países membros da União Europeia, em uma curta declaração no Twitter.

G1

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