RUPTURA ENTRE RENAN E TEMER BENEFICIA EUNÍCIO

Na escalada de conflito entre o Palácio do Planalto e o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), o presidente da Casa, senador cearense Eunício Oliveira, é quem acaba se fortalecendo. O Planalto teria preparado um “pacote” para provocar Renan. A sanção do projeto de lei que trata da terceirização, a que Renan se opõe, foi feita na última sexta-feira, mesmo dia em que o presidente Michel Temer nomeou para o Tribunal Regional Federal da 5ª Região um indicado de Eunício Oliveira, o advogado Leonardo Henrique de Cavalcante Carvalho.

Eunício vem se apresentando como fiel aliado de Michel Temer, enquanto Renan Calheiros virou uma das maiores preocupações do Planalto  PEDRO FRANÇA /AGÊNCIA SENADO

O desgaste entre Temer e Renan acaba abrindo espaço para Eunício. Há ainda o fato de que, como presidente do Senado, é Eunício quem tem o poder de colocar as matérias mais importantes para o Planalto em pauta. Diferentemente de Renan, o cearense já reiterou que irá atender aos pedidos do governo e não fez oposição às reformas. Procurado, o senador do Ceará não atendeu às tentativas de contato do O POVO para comentar o assunto.

De olho em sua reeleição, Renan Calheiros tem tentado se afastar de pautas polêmicas e impopulares. Com frequência, ele usa a imprensa e as redes sociais para tecer críticas ao texto do Planalto da reforma da Previdência. O mandato de oito anos do senador se encerra neste ano. O líder do PMDB chegou ainda a insinuar que o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, estava comandando o governo, mesmo estando preso.


Renan desaprovou a nomeação de homens ligados a Cunha para pastas no governo, como o atual ministro da Justiça, Osmar Serraglio. Ele também é crítico ao crescente espaço que o PSDB tem tomado no governo peemedebista. “Últimos sinais emitidos pelo governo com as nomeações é que há uma disputa interna entre o PSDB e o núcleo originário da Câmara dos Deputados, que foi liderado pelo Eduardo Cunha”, disse no mês passado. 

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Terceirização

Ainda em 2015, Renan Calheiros já havia se posicionado contrário à nova lei das terceirizações. Quando um projeto foi aprovado na Câmara, então presidida por Eduardo Cunha, ele congelou o projeto no Senado, enquanto ainda era presidente da Casa. Na tentativa de manobrar a decisão de Renan, o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) colocou outro projeto de terceirizações ainda mais radical, em votação no Plenário, sem chance de que ele passasse no Senado. O projeto foi sancionado por Temer.

Críticas de Renan

”A bancada discutiu bastante a terceirização e pela maioria dos presentes assinou uma nota pedindo a Temer que não sancione (a lei), porque, como está, irá precarizar as relações de trabalho”, disse Renan.

OPOVO

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