ODEBRECHT ACEITA PAGAR MULTA DE R$ 2,6 BILHÕES

O juiz Raymond Dearie, do Tribunal Federal do Brooklyn, homologou ontem o acordo para que a empreiteira Odebrecht pague multa de US$ 2,6 bilhões por ter subornado agentes públicos no exterior. Conforme a decisão, serão US$ 93 milhões para o Tesouro dos Estados Unidos, US$ 2,3 bilhões ao Brasil e US$ 116 milhões à Suíça.


A Odebrecht e a Justiça americana fizeram um acordo aceitando que a pena adequada seria de US$ 4,5 bilhões. A Odebrecht, no entanto, argumentou que não suportaria pagar mais de US$ 2,6 bilhões. A decisão da Justiça homologa essa acordo.

Segundo a Justiça dos Estados Unidos, foi feito um estudo com autoridades americanas e brasileiras que concluiu que a multa deveria respeitar o valor mínimo alegado pela empreiteira -os US$ 2,6 bilhões.

Além do pagamento da multa, a empreiteira aceitou aumentar os investimentos em seu setor de "compliance".

A fixação do valor da multa veio após a Odebrecht admitir, em dezembro passado, que pagou a agentes públicos de vários países para firmar contratos.

A Braskem, empresa petroquímica do grupo Odebrecht, também admitiu ter pago suborno e teve multa fixada em janeiro em US$ 632 milhões.

Libertar

O esquema de doações e pagamento de propinas a políticos, em troca de vantagens na contratação de obras da Odebrecht por agentes públicos, é algo de que a empresa irá se libertar, após os processos desencadeados pela Operação Lava-Jato.

É a aposta do ex-diretor-presidente da empreiteira, Benedicto Júnior. Em sua delação, anexada ao inquérito do senador Ciro Nogueira (PP-PI), ele se penitencia: "Prefiro pagar minha multa sobre o passivo que geramos do que pagar propina pra terceiros", afirmou.

"Se fizer a conta, a empresa, ao se libertar desse esquema, por um período vamos pagar essa multa. Mas vamos deixar de pagar agentes públicos, que não vão cobrar da gente nunca mais porque não vamos mais pagar", continuou. Benedicto Júnior, conhecido também pelo apelido BJ, respondia a um questionamento de procuradores sobre a disposição da empreiteira em abandonar a corrupção.

Em 2015, quando a Lava Jato já havia prendido o herdeiro e presidente Marcelo Odebrecht, o patriarca Emílio Odebrecht determinou o fim da propina e do Caixa 2 em sua empresa, que contava com um departamento sofisticado para arranjar os ilícitos. Em março de 2016, os executivos começaram a negociar seus acordos de delação.

Conforme Marcelo Odebrecht, empreiteira chegou a perder o controle do esquema de corrupção. Segundo ele, houve desvios até no setor de propinas.

DN

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