BANCADA DO PMDB CRITICA RENAN POR BATALHA PESSOAL

Os ataques do líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), ao governo do presidente Michel Temer têm provocado desconforto na bancada – a maior da Casa, com 22 integrantes. A avaliação é de que Renan precisa assumir uma postura de liderança, e não transferir problemas pessoais aos correligionários. Apesar disso, a maioria dos descontentes evita o enfrentamento com o parlamentar, que mantém o prestígio e a influência de quem já foi quatro vezes presidente do Senado.


Em jantar nesta terça-feira, 4, na casa da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), Renan reuniu mais da metade da bancada e afirmou que o “presidente Michel Temer não tem para onde ir”. O evento foi organizado pelo senador em busca de apoio. Nesta quarta-feira, 5, Renan repetiu a frase na tribuna do plenário.

“Eu fiz uma manifestação a partir da minha percepção e pela convivência que tive com os dois, a Dilma e o Temer. A presidente Dilma sempre me passou a impressão de que não sabia para onde ir. E o presidente Michel Temer, com essa política econômica de arrocho, de juro alto, de aumento de imposto, de recessão, de desemprego, se não mudar, está passando a percepção que não tem para onde ir. Ou seja, a presidente Dilma não sabia para onde ir e o presidente Michel Temer não tem para onde ir com essa política recessiva”, afirmou Renan.

Após o pronunciamento, a senadora Rose de Freitas (PMDB-ES) repreendeu o líder do partido na Casa. “Ele repetiu ao microfone o que disse ontem (terça-feira), só que aqui ele é líder da bancada. Perguntei se ele me consultaria para saber se eu também pensava dessa forma”, afirmou a parlamentar.

Rose e outros senadores já haviam “chamado a atenção” de Renan no jantar na casa de Kátia Abreu, lembrando que as questões políticas do peemedebista em Alagoas estavam atrapalhando as escolhas para as comissões e relatorias do Senado. “Você é nosso líder, não pode trazer os problemas de Alagoas para dentro da bancada”, afirmou a senadora, de acordo com um parlamentar.

Medidas econômicas defendidas pelo governo, como a reforma da Previdência, são o principal alvo das críticas de Renan.

A senadora Simone Tebet (PMDB-MS) disse que, embora ela também tenha ressalvas à proposta, a bancada “não pode esquecer” que é governista. “Não precisamos ser vaquinhas de presépio e votar tudo sem discutir, tanto que estamos melhorando a reforma da Previdência, mas não podemos fazer a crítica pela crítica, temos de fazer críticas construtivas. O que não podemos apoiar são posições de palanque e de interesses pessoais. Se eu tiver um problema com o governo, com o presidente Michel Temer, eu vou lá e resolvo diretamente com ele.”

Para o senador Raimundo Lira (PMDB-PB), as posições de Renan são pessoais e isoladas. “A bancada está fora disso.”

Reformas. Ainda durante o jantar de Kátia Abreu, alguns senadores teriam reclamado da pressão feita pelo Planalto pela aprovação da reforma da Previdência. A avaliação é de que a cúpula do governo, o presidente Michel Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral) não “entendem” a situação dos congressistas porque não “dependem” do voto popular.

“Nenhum deles é candidato a nada e, nas últimas eleições que disputaram, perderam. Agora, querem cobrar dos parlamentares. Estão pedindo o que não vão ganhar”, afirmou um peemedebista que esteve no jantar. “É terrível o que querem impor ao Congresso. O povo não quer, e os congressistas vivem de voto. Estão propondo suicídio político”, disse o senador Roberto Requião (PMDB-PR).

Já parlamentares petistas presentes ao encontro apoiaram Renan. O senador Lindbergh Farias (RJ) gritou: “Muito bem. É isso aí”. Humberto Costa (PE) disse, em tom de brincadeira, que iria “terceirizar” seu posto para o peemedebista.

Jaburu. Em meio às críticas de Renan, Temer tem conversado com senadores de seu partido para tentar garantir apoio às votações no Congresso. Na noite desta quarta-feira, o presidente recebeu, no Palácio do Jaburu, Rose de Freitas, Garibaldi Alves (RN), João Alberto Souza (MA) e Valdir Raupp (RO). No mesmo dia, Temer almoçou com o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e com os senadores Airton Sandoval (PMDB-SP) e Elmano Férrer (PMDB-PI).

ESTADÃO

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