EM DEPOIMENTO, LULA DIZ SOFRER QUASE UM MASSACRE E NEGA ACUSAÇÕES

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou em seu depoimento à 10ª Vara da Justiça Federal de Brasília a acusação que lhe é feita de ter atuado para impedir a delação premiada de Nestor Cerveró. Ele afirmou ontem que vem sofrendo nos últimos três anos "quase que um massacre" pela série de acusações que lhe são dirigidas. É o primeiro depoimento de Lula na condição de réu.


"Há mais ou menos três anos tenho sido vítima de quase que um massacre", afirmou Lula. "Estou orgulhoso e prazeroso de estar aqui e contar a versão desse fato. Me ofende profundamente a informação de que o PT é uma organização criminosa", disse.

No início do depoimento, Lula demorou para responder qual seria sua renda mensal. Ele relatou receber R$ 6 mil de uma indenização concedida pela comissão de anistia, fazer uma retirada de R$ 30 mil da sua empresa de palestras e contar ainda com a doação dos filhos. Questionado pelo juiz para definir um valor, Lula estimou sua renda em cerca de R$ 50 mil mensais.

Lula afirmou que o ex-senador Delcídio Amaral disse uma inverdade ao envolvê-lo no caso. O ex-presidente disse que Delcidio deve ter ficado incomodado por ter sido chamado de "imbecil" quando o ex-senador apareceu em uma gravação falando de tentativas de interferir em decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). "Me parece que não gostou da minha declaração. Não quis ofendê-lo", afirmou.

O ex-presidente disse ter ouvido falar que há um incentivo para que os delatores citem o seu nome. "Por tudo que ouço na imprensa tem alguém instigando a falar meu nome. É bem possível. Vi entrevista dele na Globonews e parecia que tinha recebido um prêmio Nobel da delação, vi no Roda Viva também. Depois que faz a bobagem que fez, se é que fez, ele teria que jogar no colo de alguém. Minha relação com Delcídio era institucional", afirmou.

Petrobras

Lula afirmou que Delcídio era quem tinha relação com Cerveró, e não ele. O ex-presidente relatou ainda como seriam os processos de indicação para diretorias da Petrobras destacando que as nomeações eram técnicas e que a decisão final era do Conselho de Administração da Petrobras.

Ele foi questionado pelo juiz Ricardo Leite sobre uma declaração sua no passado de que acompanhava tudo que acontecia na Petrobras. O juiz chegou a questionar Lula se ele desejava ver o vídeo em que fazia essa declaração. Lula disse que não era necessário e reiterou como era o processo de escolha dos diretores.

"O presidente não indica, recomenda ao Conselho a indicação de tal pessoa recomendada por tal partido político a partir da capacidade técnica. Era assim que funcionava no governo anterior, no governo militar e deve funcionar hoje", afirmou.

Lula fez ainda um desabafo reclamando das acusações a que tem respondido. "Sabe o que é levantar todo dia com a imprensa na porta de casa achando que você vai ser preso?", questionou.

O ex-presidente afirmou que deseja que a Lava-Jato "vá fundo", mas sem vazamentos. "Tem gente que acha que sou contra a Lava-Jato, mas pelo contrário, quero que vá fundo para ver se acaba com a corrupção. Sou contra querer fazer pela imprensa e não pelos autos", disse.

Lula abriu mão de mais uma testemunha a ser ouvida pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba. Os advogados dispensaram o depoimento do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que falaria como testemunha de defesa na ação que acusa o petista de receber benefícios da OAS com o tríplex no Guarujá e o armazenamento do acervo presidencial. Os advogados afirmaram que o depoimento de Renan versaria sobre "questões que já foram esclarecidas por outras testemunhas e documentos carreados aos autos".

Absolvição

Os advogados do ex-presidente também entraram com recurso para que Moro reconsidere sua decisão e declare a absolvição da ex-primeira dama Marisa Letícia, que morreu no último dia 3 de fevereiro.

Frases

"Há mais ou menos três anos tenho sido vítima de quase que um massacre. Estou orgulhoso e prazeroso de estar aqui e contar a versão desse fato"

"Depois que faz a bobagem que fez, se é que fez, ele teria que jogar no colo de alguém. Minha relação com Delcídio era institucional"

"Tem gente que acha que sou contra a Lava-Jato, mas pelo contrário, quero que vá fundo para ver se acaba com a corrupção"

Luiz Inácio Lula da Silva
Ex-presidente da República

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